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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Sobre a Liberdade em Mill - Parte 2*

OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO

Outro importante fator que contribui para a uniformidade do pensamento são os meios de comunicação. Mill afirma que o aperfeiçoamento desses meios promove essa padronização dos costumes. E é essa uniformidade, para Mill, a verdadeira ameaça à individualidade.

A mídia, nos dias atuais, é uma grande formadora de opinião, principalmente os grandes grupos de comunicação, aqueles que detêm mais poder de alcance e que gozam de uma maior fidelidade dos seus usuários. O respeitado geógrafo Milton Santos afirma que há uma relação carnal entre o mundo da produção de notícia e o mundo da produção das coisas e das normas. Ele descreve a tirania da informação à entrada do século XXI, denunciando o papel verdadeiramente despótico da informação, que no lugar de permitir a ampliação do conhecimento do planeta, utilizam as técnicas da informação para satisfazer os interesses pessoais do punhado de atores que controlam os meios de comunicação.

Se Mill já apresentava o aperfeiçoamento dos meios de comunicação como um responsável por uma uniformização das opiniões, o que poderíamos dizer sobre isso nos dias atuais, mais de cento e cinqüenta anos depois dessa sua afirmação? Em sua época não existia a televisão e nem mesmo o rádio. Mill está falando baseado na popularização dos jornais impressos, o que em sua terra se deu a partir da sua adolescência, a partir da criação do jornal britânico The Guardian (1821), que até os dias de hoje é um dos mais vendidos.

Não deixa de ser interessante de se observar que a liberdade de imprensa, tão importante aliada no desenvolvimento de uma sociedade mais justa, pode ser ela mesma um meio de esmagar a liberdade individual, causando muita injustiça.

De Guttemberg para cá muita coisa mudou e hoje é difícil definir o que é imprensa, dificultando consequentemente saber os limites da liberdade de imprensa. Hoje qualquer pessoa pode escrever um texto e torna-lo imediatamente disponível a todos os continentes do globo. Pode muito mais: fotos, vídeos, documentos, dados confidenciais, tudo pode partir do conhecimento de uma única pessoa para o conhecimento de milhões de pessoas em poucos segundos.

Meios de comunicação chamados “independentes” têm ganhado mais espaço. Sites como o indymedia.com, que tem a sua versão brasileira (www.midiaindependente.org) ou o WikiLeaks (www.wikileaks.org) têm conquistado, aos poucos, o seu espaço na atualidade. Só para citar um exemplo bem recente, no final do mês de julho de 2010 o site WikiLeaks divulgou mais de 90 mil documentos secretos sobre operações militares dos Estados Unidos da América no Afeganistão entre 2004 e 2009, denunciando o que seriam crimes de guerra, dentre outras informações. O WikiLeaks, para sua segurança, resolveu compartilhar os documentos com alguns dos impressos mais importantes no mundo (revista alemã Der Spiegel, jornal britânico The Guardian e o americano The New York Times), para que alguns documentos fossem publicados simultaneamente.

Mas esse fato não é o que ocorre com freqüência. O que é muito comum é que informações sejam falseadas pelos grandes veículos de comunicação para proteger os interesses daqueles que detém o poder. Falsificam-se os eventos, já que não é propriamente o fato que a mídia nos dá, mas uma interpretação, isto é, a notícia.

O que representa uma ferramenta poderosa na disseminação de valores que promovem o desenvolvimento e a justiça pode, ao mesmo tempo, destruir a vida de inocentes se isso for de seu interesse.

Não parece haver dúvida, portanto, de que a liberdade de imprensa clássica como extensão da liberdade de expressão individual não guarda qualquer relação com o que se pretende por liberdade de imprensa no mundo dos grandes conglomerados globais de comunicação e entretenimento, muitos deles com orçamentos superiores àqueles da maioria dos Estados membros das Nações Unidas.

E a castração das liberdades individuais é uma das mais cruéis façanhas dos meios de comunicação atuais. A promoção de valores uniformes, que possam formar uma massa de consumidores prontos para dedicar os seus maiores esforços na obtenção dos produtos padronizados produzidos em escala industrial para todo o globo.

* Reflexões a partir da obra Sobre a Liberdade, de John Stuart Mill

Um comentário:

Weslley M. Almeida disse...

Via de regra, ignoramos o poder massificador da mídia e lemos/ouvimos/vemos comumente suas mensagen e des-informaçãoes sem nenhum senso crítco. Isso delinea os desejos, sonhos e forma de viver das pessoas - como tange o texto. A publicidade faz seu jogo linguístico no imperativo: "Compre batom", "Faça sua poupaça na Caixa", "Beba coca-cola". Ou seja lemos o jornal, ligamos o rádio ou a TV p/ saber o que fazer: qual o mais novo produto comprar e ideologia crer.
Abraço, meu caro!