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domingo, 21 de fevereiro de 2010

Evangelho e Cultura

Estava fuçando alguns arquivos antigos e achei um sermão antigo que preguei em época de São João na Primeira Igreja Batista em Bultrins, Olinda/PE. É um estudo bíblico que vale para outras festas, como Carnaval também. Para que quem gosta de participar, ainda que esteja ligado a alguma religião que proíba, encontre a capacidade de não sentir culpa alguma. Aí vai…
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Estamos encerrando o mês de Junho, cujo tema escolhido para a nossa reflexão foi Evangelho e Cultura. Sobre evangelho nós falamos bastante, mas o que é cultura?

Alguns dizem: - Ele não estudou, por isso não tem cultura; Música é cultura, danças também, pintura, arte em geral, idiomas, roupas, costumes, preferências, comidas, perfumes, atividades e muito mais.

Nós seres humanos nos diferenciamos dos demais animais também por nossa diversidade cultural. Somos da mesma raça (humanos) e ainda assim tão diferentes uns dos outros. Vivemos em grandes cidades, cercados por prédios, ruas asfaltadas, transportes automotores; mas também vivemos no meio das florestas, cercados de árvores, rios e outros animais ou ainda nos desertos e nas geleiras. Nos diferenciamos no que vestimos, no idioma, dialeto ou “sotaque” que falamos, na forma como rimos, na comida que consumimos e em tantas outras coisas.

Uma dada cultura popular surge em um contexto de vida peculiar de um povo. Imaginemos a nossa realidade. Vivemos a triste realidade de perdermos anualmente muitos jovens assassinados violentamente. Um certo dia poderíamos resolver fazer uma grande encenação com a participação de todos os moradores. Uma grande encenação recheada de arte e músicas representando essa triste realidade, aqueles que já perdemos e a nossa esperança que isso tenha um fim. Com o tempo, Isso poderia fazer parte da nossa cultura popular. Estaríamos anualmente fazendo essa celebração. Mesmo quando não houvesse mais esse problema dos homicídios, estaríamos celebrando para continuar lembrando a nossa história. Lembrando que no passado acontecia aquilo, mas que juntos conseguimos vencer aquela batalha. Muito do que temos hoje em nossa cultura popular representa parte da história de um povo numa determinada época. Quando deixamos morrer qualquer tipo de expressão cultural, enterramos junto parte importante da história da humanidade.

Uma cultura também pode ditar regras de comportamento. Algumas dessas regras podem se tornar Leis. As Leis fazem parte da cultura de um povo, portanto estão igualmente associadas a um contexto específico e devem ter a finalidade de proteger os interesses desse povo de viver bem.

Na cultura judaica não havia separação entre Lei Civil e Lei Religiosa. A Lei de Deus era a mesma que condenava à prisão ou à morte. Um problema social e econômico poderia ser resolvido com uma nova Lei como podemos ver lá em Nm 36 quando se proibiu às mulheres casarem com homens de outras tribos, para que não acontecesse de algumas tribos ficarem muito mais ricas que outras. Por algumas vezes Jesus contrariou a Lei vigente em sua época (p.ex. Mc 3.1ss) para mostrar que qualquer Lei é menos importante que a Vida em Abundância que Deus deseja à toda a humanidade. Deus quer que todos nós sejamos felizes e esse é o seu desejo mais profundo para a humanidade. Isso deve ser mais importante do que qualquer lei.

O apóstolo Paulo se deparou com um problema sério em sua época. Alguns cristãos vindos do judaísmo condenavam outros por continuarem em algumas práticas antigas. Dois exemplos claros dessas práticas foram algumas celebrações como a Festa da Lua Nova e o fato de comer carne oferecida aos ídolos nos templos pagãos.

A celebração da Festa da Lua Nova tem origem nos povos primitivos. Eles não entendiam que a lua ficava invisível quando localizada entre a Terra e o Sol e achavam que ela deixava de existir, voltando novamente a ser criada em seguida. Esse era considerado um acontecimento sagrado, portanto nesse dia ninguém poderia trabalhar. Haviam festas, sacrifícios e celebrações. O povo Judeu em algum momento na história também passou a celebrar a Lua Nova (I Sm 20), aproveitando a ocasião para admirar-se das maravilhas da criação de Deus. Mas para alguns cristãos contemporâneos de Paulo continuar participando daquelas festividades não parecia correto. E eles acusavam outros cristãos de estarem se corrompendo ao se misturarem com aquelas festas impuras. Também os acusavam de comer as carnes oferecidas aos ídolos nos templos pagãos. É para esses cristãos que estão sendo acusados que Paulo escreve:

“Portanto, que ninguém faça para vocês leis sobre o que devem comer ou beber, ou sobre os dias santos, e a Festa da Lua Nova, e o sábado...Não deixem que ninguém os humilhe, afirmando que é melhor do que vocês porque diz ter visões e insiste numa falsa humildade e na adoração de anjos...Não obedeçam mais a regras como essas: ‘Não toque nesta coisa’, ‘não prove aquela’, ‘não pegue naquela’... São apenas regras e ensinamentos que as pessoas inventam. De fato essas regras parecem ser sábias, ao exigirem a adoração forçada dos anjos, a falsa humildade e um modo duro de tratar o corpo. Mas tudo isso não tem valor para controlar as paixões que levam à imoralidade.” Cl 2.16-23.

O texto nos dá a entender que alguns cristãos estavam sofrendo por causa do preconceito de outros. Eles, por exemplo, não viam problema algum em participar da Festa da Lua Nova. Eles tinham consciência que não estavam fazendo nenhum tipo de adoração à Lua. E festejavam com a consciência tranqüila diante de Deus. Mas alguns irmãos seus se escandalizavam com isso e enchiam os seus corações de ira, acusando-os, dizendo que eram superiores diante de Deus do que aqueles que estavam se tornando impuros em Festas desagradáveis a Deus. Quando reprovamos pensamentos ou ações de uma pessoa apenas porque pensamos diferente isso se chama preconceito. O meu preconceito machuca o meu próximo. Preconceito gera violência. Muitas guerras que conhecemos surgem a partir do preconceito.

Uma vida espiritual que promove preconceito representa uma espiritualidade doentia e está longe do evangelho ensinado por Cristo. O evangelho não pode promover preconceito e violência. Paulo sabia disso. Por isso ele orientou àquelas pessoas que estavam sofrendo acusações preconceituosas. Não deixe que ninguém humilhe vocês dizendo ser mais espirituais [porque não vão às festas que vocês vão]. Não obedeçam mais a essas regras inventadas pelos homens: Não prove, não pegue, não toque. Proibições não purificam o coração de ninguém.

Além das festas o texto fala também do problema da carne consumida nos templos pagãos. Paulo também fala sobre esse assunto em I Co 8 e 10. Bem, haviam novos cristãos que, como costumavam antes de se tornarem cristãos, ainda iam para as laterais dos templos pagãos para comer sobras das carnes que eram oferecidas aos ídolos. Alguns outros que viam aquela cena chocante os condenavam também. Por isso Paulo diz: “Portanto, quanto ao consumo de carnes imoladas a ídolos, ‘sabemos que um ídolo não é nada no mundo, e não existe outro Deus a não ser o Deus único’...Dele tudo procede - I Co 8.4-6. E a consciência de quem comia daquela carne funcionava assim. Esse pessoal está oferecendo essa carne a outros deuses. Eu sei que só existe um Deus. E que foi esse único Deus que criou tudo. Portanto essa carne foi-nos dada por esse Deus único que eu sirvo. Logo essa carne não tem como me fazer mal algum e vai me alimentar bem. E comiam. Paulo realmente concorda com eles dizendo [eu sei que a consciência de vocês está tranqüila. Nós temos esse conhecimento. Mas, por favor, nem todo mundo consegue chegar a essa consciência.] A consciência deles, que é fraca, fica manchada. [Então eu peço a vocês que se puderem evitar comer dessa carne para que seu irmão fraco não venha a cair então evitem.]. Leiam os dois capítulos de I Co sugeridos. É importante.
Jesus mesmo lá em Mc 7.14ss, quando foi acusado porque seus discípulos descumpriram um procedimento importante para a cultura judaica (lavar as mãos antes da refeição), disse: “O que vem de fora e entra numa pessoa, não a torna impura; as coisas que saem de dentro da pessoa é que a tornam impura”. Por isso Paulo disse no primeiro texto apresentado “que ninguém faça para vocês leis sobre o que devem comer ou beber”.

Meus queridos irmãos, o evangelho não é baseado em lista de proibições. O evangelho liberta, portanto representa liberdade. Nós fomos chamados para a liberdade e o limite da liberdade é o amor. Porque todos os mandamentos se resumem em amar ao próximo. Gl 5.13-15

A Festa da Lua Nova (Neomênias) poderia continuar a ser festejada. Não foi preciso nem mudar o nome porque o que importa é a consciência de quem participa e não a origem. Temos as nossas festas que fazem parte da nossa cultura popular. Cabe a cada um de nós, através da liberdade da nossa consciência fazer os nossos próprios julgamentos. Portanto, que ninguém faça para vocês leis sobre o que devem comer ou beber, ou sobre os dias santos, e a Festa da Lua Nova, e o sábado

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