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Que bom você por aqui. Sinta-se em casa. Espero que as nossas humanidades se encontrem aqui. Neste blog você encontrará textos sobre assuntos variados que traduzam com palavras simples e críticas esses caminhos e descaminhos que a humanidade percorre na estrada da vida, expressos através de um desejo profundo e intimamente meu: Quero ser mais humano: menos hipocrisia, menos espiritualidade alienante, menos moralidade vazia, muito mais HUMANO."
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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Como uma criança

Nascemos! Tudo à nossa volta parece tão grande. Somos tão pequenos. As pessoas ao nosso redor são enormes. Os nossos pequenos passos, primeiros passos, parecem irrisórios diante da vastidão do mundo. Só nos resta brincar. Esquecer as grandes coisas e voltar-se às que estão ao nosso alcance para ter com elas uma relação de prazer.

Crescemos! Tudo encolheu à nossa volta. As pessoas já não são gigantes. Nossos passos conduzem a nossa liberdade para distante. Não há espaço nem tempo para as brincadeiras, para o prazer, somos adultos. Por outro lado, o que eram formigas para nós quando crianças, tornam-se gigantes. Os desafios, os problemas, as lutas. Gastamos todo o nosso tempo e energia servindo a esses gigantes, abdicando do prazer, das brincadeiras.

Morremos! A morte não é aquele instante em que o nosso coração pára de soprar vida para o corpo. Na verdade, é exatamente isso sim, agora revendo a frase, é uma metáfora perfeita... quando o coração pára de soprar vida para o corpo.

Não saber viver é uma doença, cegueira muito pior que a física. É impossível ter bons olhos e não conseguir viver bem. Dar muita importância a coisas bobas, alimentando ódio no coração, perdendo a paz e a ternura é não ter em conta a vastidão do universo, a complexidade da vida, os fatos de nosso mundo conhecido, as conseqüências das nossas escolhas.

Ter em mente tudo isso é saber-se pequeno e fulgaz. A nossa grandeza mora exatamente na forma com que nos relacionamos com o mundo e com as pessoas. Ser grande é saber-se pequeno, pois quem não sabe-se pequeno, acha-se superior e infalível. Quem é grande para si mesmo, quem se vê grande, não consegue se relacionar bem nem com o mundo (imperfeito) e nem com as pessoas (imperfeitas).

Quem não se fizer como um desses pequeninos (como uma criança) jamais poderá viver uma vida de prazer como o nosso Pai quer (Reino de Deus).

terça-feira, 12 de abril de 2011

Palavras Soltas

Longe, bela, olhar, sorriso, passos, aproximação, coração, acelerado, palavras, excitação, desejo, ardendo, rostos, respiração, encontro, beijos, amassos, mãos, corpos, desnudamento, descoberta, convites, união, gemidos, encaixe, vai-e-vem, lábios, passeando, líquidos, misturando, rápido, esquentando, gritos, prazer, loucura, descontrole, som, imagem, cheiro, pele, sabor, fantasia, frenético, forte, jorrando, contraindo, explodindo, pulsando, desacelerando, relaxamento, paz, felicidade, vida, descanso, bis...

terça-feira, 5 de abril de 2011

Que seja infinito enquanto dure!

Perguntaram-me certa vez qual seria a minha opinião: - Tenho uma certa quantia e estou em dúvida entre uma rápida viagem com o meu amor ou uma roupa legal que estou querendo comprar. Bem, eu não gosto de tomar decisões por ninguém nessas coisas. Já percebeu que muita gente tem medo de tomar decisões e pergunta a um amigo o que ele faria? Se der errado, pode-se ao menos dizer: - Eu bem que sabia que não era para ter feito isso, mas fulano me disse para fazer e terminei indo pela cabeça dele. Me permito apenas fazer algumas perguntas que facilitem a decisão da pessoa.

Olhei para o meu amigo e perguntei: - Quanto tempo vai durar a viagem?
– Dois dias, respondeu.
– E quanto tempo vai durar a roupa que você quer comprar?
 – Sei lá, no mínimo uns dois anos, respondeu novamente. Eu fiz silêncio e ele entendeu que aquilo podia ser algum tipo de resposta.
–Já sei agora, vou comprar a roupa. Que diferença enorme! Em dois dias terei já perdido o meu dinheiro e, comprando a roupa, o meu dinheiro durará pelo menos dois anos. Obrigado, cara, isso ajudou muito.

Eu dei uma gargalhada no momento e lhe disse:

- Calma, ainda tenho umas perguntas a fazer: Quais as melhores lembranças que você guarda? Aqueles momentos que você gosta de lembrar mais? E ele me elencou alguns momentos como passeios com família, com amigos, lugares interessantes em que esteve, coisas desse tipo. Perguntei a ele se ele lembrava a roupa que estava usando naqueles momentos. E se ele lembrava da roupa que usava em algum daqueles momentos, que diferença isso fazia agora no prazer que sentia nessa lembrança. Ele me disse que a roupa que usava não fazia diferença alguma.

Nesse momento eu encerrei a minha participação dizendo: - Daqui a alguns anos, quando a tua roupa já não servir mais, a experiência de uma viagem gostosa permanecerá nas tuas lembranças para o resto de tua vida e poderá te trazer muito prazer cada vez que você lembrar de cada momento daquela viagem, mas as lembranças da roupa se tornarão totalmente irrelevantes ou mesmo desaparecerão. Bem, só posso ir até aqui porque a decisão mesmo tem que ser sua.

Em um mundo contaminado por um consumismo fora de controle, muitas vezes nos tornamos incapazes de discernir quais são as coisas que realmente tornarão a nossa vida mais prazerosa. Lembro agora que foi nessa mesma conversa com esse amigo meu que eu também lhe perguntei: - Se todas as luzes se apagassem agora (era noite), que importância teria a tua roupa (grife, modelo, etc.)? Mas o apagar das luzes jamais apagariam as suas lembranças. Nada te poderia tirar esse prazer. Foi essa mesma mensagem que quis passar na minha música Brevittà.

quarta-feira, 30 de março de 2011

O rabisco


Estávamos conversando sobre o mesmo fato, observado por nós enquanto caminhávamos até a pequena sala que estávamos naquele momento. Éramos quatro. O senhor Silva, o mais velho entre nós e conhecedor de fatos da nossa infância que, vez por outra tirava de sua cartola mágica para nos presentear. Amigo das três famílias, teria nos conhecido ainda bebês. E estava nesse momento tentando conciliar as nossas opiniões tão diferentes sobre o evento acontecido.

Para cada um de nós três parecia muito claro e incontestável a própria visão. E tínhamos naquele momento três verdades irrefutáveis e concorrentes. Foi quando o senhor Silva, a quem carinhosamente chamávamos de “Tio”, nos interrompeu: -Garotos, lembram que eu falei que tinha algo para mostrar? Está aqui, e tirou de sua maleta um papel riscado com diferentes cores. Parecia mais uma folha de borrão, que servira para testar as cores de alguns lápis-de-cera, pois eram traços desordenados e falhos. –O que vocês veem aqui? Tio nos perguntou. –Parecem rabiscos de criança, concordamos os três. Mas o papel estava bem desgastado. Ficamos sem entender a relevância daquele papel velho com um rabisco feio e sem sentido, até que Duda, ao se aproximar mais um pouco, deixou escorrer um fio de lágrimas pelo seu rosto. Ficamos, eu e Beto, agora ainda mais desentendidos do que estava a acontecer. –Duda, que houve? Mas ele não sabia explicar. Todos olhamos em direção de Tio, buscando uma explicação.

- Você não consegue ouvir o que te diz o desenho, Duda? Perguntou-lhe Tio, e continuou... –Você tinha pouco mais de dois anos quando fez esse desenho, sentado no chão, ao lado do seu pai, dizendo para seu pai: -Coachão (Coração), papai. Naquele dia eu quem fiquei com o desenho e guardei até o dia de hoje, e entregou o papel à Duda. Havia uma pequena frase no verso, seguida da data e da assinatura de seu pai. Dizia: “Coachão do meu dudinha, 19/11/1981, Adelmo Santos”. Nesse instante estávamos os quatro abraçados e chorando como meninos.

Acontece que naquele mesmo ano de 1981, o pai de Duda viria a falecer de um infarto fulminante e o nosso amigo não tinha lembrança alguma do seu pai. Assim que nos acalmamos, Tio nos deu duas das principais lições de nossas vidas. E as compartilho com todos vocês:

A Primeira delas

“O que é um simples rabisco para mim pode ser um pedaço importante da história de alguém”

Nunca saberemos o que é conviver sem essa consciência, essa simples consciência que poderia evitar guerras e destruição. Somos diferentes porque vivemos experiências diferentes e interpretamos diferente as mais variadas informações. Isso torna as nossas opiniões muitas vezes divergentes. Damos mais valor a umas coisas em detrimento de outras e uma outra pessoa pode dar mais valor  a detalhes que temos em menor valor e vice-versa.


A segunda lição

“A beleza da vida está nos seus olhos”

Serás tão feliz quanto os teus olhos forem bons.

terça-feira, 8 de março de 2011

Terça-feira de fogo: O último vôo da fênix

“É HORA DE FREVO
Composição: Capiba
Quem quiser me ver
Me procure aqui mesmo
Quando chega o carnaval
Seja noite ou dia
Aqui tudo é alegria
E alegria não faz mal
É aqui que eu danço
Aqui é que eu canto
Aqui é que eu faço
Com desembaraço
Misérias no passo!
Na quarta-feira,
quando tudo terminar!
Eu espero mais um ano,
até o frevo voltar!”


Amanhã é quarta-feira de cinzas. Pensei então que poderíamos chamar o dia de hoje de terça-feira de fogo. E acho que esse é um nome bastante sugestivo, dada a grande euforia desse momento que seria o último momento dessa festa tão bela que é o nosso carnaval. Na prática não é o último momento porque o nosso povo é festeiro o suficiente tanto para antecipar o incêndio como para retardar o apagar das chamas.

Lembrei-me logo da fênix, esse pássaro da mitologia grega que, ao morrer, entrava em um estado de autocombustão, renascendo, depois, das próprias cinzas. Nós, recifenses, temos a nossa própria fênix, esse galo gigante que ajunta milhares quatro dias antes das cinzas.

É um período em que as pessoas ficam bem diferentes. Elas festejam, saem da rotina, acabam com a seriedade e esquecem as preocupações. Usam roupas nada convencionais, usam poucas roupas ou mesmo nenhuma. Saem de casa, festejam ao ar livre, em grupo, se dedicam ao prazer, ao sexo, ao prazer, ao prazer.

Vulgaridade, dizem uns. Pouca vergonha, festa do cão, dizem outros. Eu mesmo já disse isso tantas vezes no meu passado remoto. Os últimos anos me trazem tantas dúvidas sobre o que é vulgaridade. Uma mulher que demonstra gostar de sexo, por exemplo, é chamada de vulgar. Aliás, falar abertamente de sexo é vulgar. E esses dias nos apresenta muita nudez, muita “apelação” sexual, como argumentam tantos. Belas bundas e belos seios à mostra (é a visão de um homem, por favor, mulheres, podem traduzir essa parte na sua linguagem). Mas ninguém gosta disso, não é verdade?

Ninguém se interessa por coisas que tenham a ver com sexo (pornografia não vende). Ninguém gosta de cenas picantes em um filme romântico. Só os cachorros gostam disso. Aliás, tenho, dentre as minhas cenas de infância, essa: Uma cadela no cio no meio da rua e vários cães disputando um tempinho de sexo com aquela fêmea que, com o seu próprio corpo, pede para ser possuída. Que fêmeas vulgares que são as cadelas no cio, não é verdade? Quem quer que tenha feito a cabeça delas para ser assim só pode ser alguém muito vulgar. E o pior é que a maioria esmagadora dos animais são assim, vulgares.

Mas nós não! Ah, de forma alguma! Somos diferentes. Não nascemos com a cabeça feita. Fomos nos construindo (ou talvez destruindo, quem sabe) no decorrer de nossa existência. Chamam isso de livre-arbítrio. Não temos o comportamento programado por alguém,  como os animais. Nós mesmos que criamos as nossas regras e escolhemos o nosso comportamento. E se dizemos: É vulgar, então é. Não ser vulgar o que seria? Esconder o que sente? Fingir ser diferente daquilo que o nosso próprio corpo é? Não sei. Deixo aqui um trecho do último livro de Rubem Alves que estou lendo. Ele fala sobre como a religião costuma ver o prazer. Aí vai: "A tradição cristã tem medo do prazer. Prazer é artifício do Diabo. Tanto assim que, para agradar a Deus, os fiéis se apressam a oferecer-lhe sofrimentos e renúncias, certos de que é o sofrimento dos homens que lhe causa prazer. Não tenho conhecimento de alguém que, a fim de agradar a Deus, lhe tenha feito promessas de ouvir Mozart ou fazer amor." Rubem Alves - Variações sobre o Prazer, p.96.

E chega o carnaval, suas máscaras e fantasias, as bebidas e o anonimato, para que todos possam se sentir à vontade de ser quem são de verdade e possam viver, pelo menos naqueles poucos dias, sem o peso das classificações: Vulgar, feio, pecado, imoral. Completamente incendiados pelos desejos reprimidos o ano inteiro, brasas que se juntam para formar um fogaréu só, onde não há distinção entre rico e pobre, preto e branco, hetero e homo, homem e mulher, onde tudo se mistura, todas as cores, todos os ritmos, todos os líquidos, todos os sons, todos os tons, numa harmonia bagunceira, numa ordem caótica, numa profanidade sagrada. Mas é claro que carnaval não é sinônimo de sexo. Isso é apenas uma pequena parte. É festa, é dança, é diversão, é cultura, é paixão, é igualdade, é união.

Até que surgem as cinzas, após o pleno consumo das chamas, para lembrar a todos o que é vulgar, o que é feio, o que é imoral. E das cinzas renasce o trabalho e o trabalhador, o consumo e o consumidor, o produto e o produtor, o rico e o pobre, o preto e o branco, o sonho e o sonhador.

Ah, desejaria eu outro renascimento para a fênix. Que não fosse preciso a morte ou a proximidade da morte para que as chamas surgissem. Que das cinzas pudessem sair já as chamas do prazer. Que a nossa vida fosse repleta dele, do prazer, e não estou falando de sexo, apenas. Estou falando de vida, de plenitude, de viver sem limitar os potenciais do prazer. De desafiar o estabelecido e ousar. De gozar a vida sem medos, menos racionalmente, mais instintivamente. Não acho que isso seria origem de mais violência, mas desconfio que poderia ser um dos remédios.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O Prazer da carne e a carne do Prazer


De longe já era possível vê-la

Parecia propositalmente posicionada para formar, com tudo o que a rodeava, uma obra de arte única e bela.


Envolta em cores e texturas que remetiam aos olhos o convite irrecusável da aproximação. E eu me aproximava e quanto mais perto me punha, mais belo se tornava todo aquele ambiente, erigido exclusivamente para o Prazer. Ela lá, parada, não precisava pronunciar uma palavra sequer. Dela, além da visão estonteante que o encontro da luz proporcionava aos meus olhos, parecia bailar uma harmoniosa sinfonia aromática, que me descolava do chão a flutuar em sua direção.

Enfim, próximo o bastante para sentir em meu próprio corpo o calor que fugia do seu, daquele seu corpinho suave, macio, fonte de todos esses prazeres preliminares que já não mais me permitiam qualquer uso da consciência ou razão. Estava entregue, completamente, à magia dos sentidos, da emoção, da força incontrolável do desejo, da ânsia incontida de explorar, ampliar, prolongar o prazer até o sem-limites.

Mas não poderia tocar, já, assim, de uma forma tão direta, na carne, mesmo nesse estado em que me encontrava, completamente embevecido, aquele momento era diferente, havia um quê de curiosidade, de experimentar algo novo, de brincar um pouco, de adiar o fim, de aproveitar melhor o jogo ao invés de querer chegar rapidamente ao clímax, que apesar de carregar o estopim do prazer, carrega, igualmente o início do fim.

Fechei os olhos por um momento e procurei me deliciar com o seu cheiro, aproximei a minha respiração ao ponto do último limite antes do toque direto, na carne, inspirei e, nesse instante, quase que o fim chega antes de começar. Desacostumado com esse tipo de abordagem, onde a melhor distância entre dois pontos é o rodeio, tive uma certa dificuldade em me conter, o quase fim voltou ao começo e continuei… Expirei, um ar tão repleto de uma mistura de desejo incontrolável e prazer intenso que o calor pareceu ter tornado o seu corpo ainda mais rubro do que estava outrora. Junto ao ar, saiu um breve gemido que não conseguia esconder o tamanho daquela sensação tão nova e avassaladora.

As minhas mãos, sedentas, de uma forma que não sei explicar, lentamente, mas voando desesperadas, em câmera lenta, mas velozes, plenamente tomadas de inveja pelos cheiros que não podiam provar e o deleite visual que não lhes era possível ter, reivindicavam para si uma fatia nesse ritual, nesse culto ao prazer. E tocaram, enfim, ainda não diretamente, na carne, mas nos tecidos que lhe antecedem, e pareciam-lhe extremamente agradáveis. Elas passeavam, sentindo as diferentes texturas, em diferentes curvas, e agora o toque, os cheiros, as imagens, unidos no mesmo intento, o prazer, o prazer, o prazer. E foi assim que as mãos, como que garantindo que aquilo que era tocado no momento não fugisse, segurando firmemente os dois rubros que estavam cobertos por aquele fino tecido, convidaram os meus lábios a se juntarem àquele jogo de sedução e prazer.

E quanta maciez os meus lábios puderam sentir, mesmo que o contato se desse com aquele fino tecido que me separava da fonte real do sabor. E meus lábios percorriam aquela protuberância rubra, coberta por aquele fino tecido, também rubro, e cumeado por uma textura mais rígida e concentrada que a cada encontro nesse vai e vem, dava um pico no prazer, quando era preciso me segurar para não antecipar o fim. A vontade, na verdade, era que esse fim nunca chegasse. Eu queria estar ali, naquela brincadeira, naquele jogo maravilhoso, para sempre.

Eu queria mais, queria avançar, já era o momento, os líquidos anunciavam. Os meus o desejo de comer, a carne, sem mais finos tecidos, sem mais quaisquer tecidos, e os líquidos que brotavam dela, como uma fonte aromática, o desejo de ser possuída por aquele que a desejava mais que tudo nesse momento. Então providenciei para que os tecidos não mais existissem. Agora sim, com a ajuda das habilidosas mãos e dos olhos, providenciando o encaixe perfeito, quando uma carne é abrigada pela outra, quando a dança dos dois vai passando da sublimidade de uma valsa para a firmeza e movimento de um tango, o que era quase um solo se transforma em uma orquestra. Os sons se sobrepõem, gemidos de prazer, o frigir dos encontros e reencontros, do vai-e-vem sem fim, o trabalhar das mãos, os cheiros, as imagens, os líquidos, ardendo, queimando, os sabores mil que os meus lábios sentiam ao passear por cada espaço daquele corpo, agora diretamente, na carne, macia, molhada, saborosa, com mil sabores, mil texturas, mil fontes de prazer. Aquilo não dava mais para segurar, era o máximo que aquele vulcão poderia se agitar sem que precisasse explodir. Deu-se o som estrondoso, fatal, o gemido final, prolongado e altissonante, e todo o meu corpo explodiu junto provocando-me quase um desmaio que me impossibilitou ficar de pé por uns bons momentos.

Agora faço uma pergunta que no fundo é um convite desafiador para você que ainda está lendo esse texto: Se comer dois tomates inteiros antes de saborear um pedaço de carne pode vir a trazer tanto prazer, dependendo da forma como será a sua relação com essa comida, imagina o que a gente não pode fazer para ter mais prazer nessa vida, heim?



Recife, 17 de fevereiro de 2011, 14:02


terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

brevità

Corre, menino, corre pra lá e pra cá

Roda, moinho, e volta ao mesmo lugar

Sai do seu ninho, com pressa pronde quer chegar

Volta vazio, tá cheio de não encontrar

E a noite vem mostrar

Que tudo aquilo que buscamos enquanto a vida passa

Na escuridão profunda não tem graça

Mas as lembranças vão ficar

Recife, 15 de Fevereiro de 2011, onze horas e vinte e sete minutos

domingo, 22 de agosto de 2010

Ao Amigo da Vila Maravila

Há um monte marcado
Há um marco no monte
Uma luz no horizonte
Uma fonte, uma veia

E a vida é feita
De campos monteiros
De pontos marcados
De montes marqueiros

Se os Marcos Monteiros
Que surgem na vida
De vindas e idas
De altos, rasteiros

Trouxerem-te a graça
Cruzar-te o caminho
Não percas o vinho
É Marcos Monteiro

Tive muito recentemente a honrosa visita de um grande amigo. A pretensão de aqui dizer "grande" não se refere ao tempo que tenhamos passado juntos. Mas, sabe aquelas pouquíssimas pessoas que surgem na sua vida e que você pode continuar sendo totalmente você quando em sua presença? É isso!

Ele veio me presentear com o seu mais novo livro: Vila Maravila: um lugar diferente e cheio de graça. Falo já do livro. Deixe-me falar um pouco do autor, o pastor Marcos Monteiro, amigo que só conheci quando iniciei as minhas atividades pastorais na Primeira Igreja Batista em Bultrins, Olinda, em 2003, no colegiado de pastores do qual ele já era parte.

De lá para cá Marcos se tornou uma das pessoas que mais admiro nessa minha curta existência. Ele desafia a tendência de um altruísta tornar-se um egoísta antes dos quarenta anos de idade. É daquelas pessoas que, se não tiver alguém por perto que possa se preocupar com ele, termina oferecendo a própria roupa do corpo para socorrer a quem precisa. Um dos maiores teólogos vivos que conheço, que fugiu do mesmismo de reproduzir uma teologia pobre e “desumanizante” e tem contribuído enormemente para uma teologia que parte do próprio contexto (nordeste brasileiro). Apesar de sua genialidade e talvez mesmo por sua causa, o seu reconhecimento não corresponde à altura de sua importância.

Quando Mill, em sua obra “Sobre a Liberdade” fala que “...os indivíduos excepcionais, em vez de serem intimidados, deveriam ser encorajados a agir de um modo diferente das massas” eu lembro de Marcos Monteiro e de mais algumas pouquíssimas pessoas. São pessoas que mereciam um espaço de destaque entre nós para que pudessem expressar com liberdade as suas idéias e “loucuras”. Mas são pessoas que, baseado em nossa história, possuem um reconhecimento bastante tardio, porque estão à frente do seu tempo.

Bem, percebo que o meu manejo com as palavras jamais fará jus à descrição dessa figura quase mítica. Apesar de ele ser já conhecido em todo o Brasil e até no além-fronteiras, sei que o futuro ainda reserva o reconhecimento mais próximo do merecido.

Agora, sobre o livro, o que posso dizer é o seguinte: Não consegui ler muitas páginas ainda. Na minha opinião, não é um livro daqueles que se lê de cabo à rabo de um só vez. São textos bem pequenos, mas de uma riqueza e efeito inexpressáveis. Palavras simples, mas costuradas com uma maestria tão singular e tão carregadas de sentidos e sentimentos que promovem reações que não se podem acumular em um só tempo. É como aquele banquete delicioso que desejamos comê-lo todo, mas que durante a relação palatal descobrimos a limitação do corpo em propiciar espaço para tamanha sustança. É necessário um certo tempo para a digestão. A ilustração fica ainda melhor se pensarmos nas palavras em estado gasoso. Ocupando todo o espaço, numa dança desordenada e ordenada, que cria e recria, que constrói e desconstrói e que pede saída. São palavras que se negam a simplesmente tomar assento ou pousar, mas exigem serem externalizadas em ações concretas, elas querem voar. Palavras que nos trazem de volta à mais humana humanidade.

Os textos trazem assuntos diversos de nossas vidas, através do dia-a-dia da Vila Maravila, “onde os dois maiores regentes do cotidiano brasileiro, a política e o futebol, jogam as cartas para que os jogadores e habitantes da vila dêem seus próprios lances e expressem suas abalizadas opiniões”. É um livro que pode ser lido por fiéis e ateus, por quem gosta e quem não gosta de futebol e política. Um livro para todas as etnias, para todos os comportamentos sexuais e idades. Um livro sem rótulos, assim, simples, como é ou deveria ser a vida. Simples e pleno. Humano e humanizante.

Eu só li até agora quatro dos quarenta pequenos textos, mas posso afirmar que tão somente o prefácio já pagaria o livro. Esse que recebi foi presente, mas agora não posso deixar de também presentear alguém com um exemplar. O meu vou ler assim, um texto por dia. Pelo menos assim que a minha tia devolvê-lo. E o seu?

“Quando ligeiro voam as palavras, lançadas pela inquietude, pela saudade e pelo desejo, de um povo que não consegue se conformar, elas procuram pouso em seus respectivos objetos” Marcos Monteiro

Blog de Marcos Monteiro: http://www.madoniram.blogspot.com

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Frases de John Stuart Mill

"Quem pode avaliar o que o mundo perde em termos da enorme quantidade de intelectos prometedores combinados com personalidades tímidas que não se atrevem a seguir qualquer curso de pensamento ousado, vigoroso e independente, com receio de que o mesmo os conduza a algo que seria considerado ímpio ou imoral?"



sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Suspende o Red Bull dos Mamelungos de Recife

Por Bruno Montarroyos

Teria sido apenas a abertura do V Cultura Festival em Recife, na livraria cultura, mas se tornou mais um motivo para lamentar a injustiça com todos aqueles que não têm o privilégio de habitar a capital mais cultural do Brasil. Meu pai e eu, amantes da música, inclinação já assinada nos genes da família, quando em algum momento da ascendência o organismo interpretou a apreciação pela música como algo essencial para a sobrevivência, estávamos lá, perplexos diante de cena tão assombrosa como aquela.

Seis seres iluminados saíram de uma lata gigante de red Bull direto no palco do evento e provocaram o espanto geral daquele auditório completamente lotado, digo, mais que lotado, sardinhamente enlatado: Mamelungos de Recife. É isso aí pessoal, com todo respeito às demais regiões desse Brasil maravilhoso e multicultural e também às visitas ao Blog, lideradas atualmente por São Paulo, Porto Alegre, Fortaleza e Curitiba, além de Recife, e com menor taxa de rejeição em Brasília, os caras são de Recife, dessa capital que chove, digo tempesteia atrações culturais de excelente qualidade e de graça para o povo recifense.

Ao povo de Recife um alerta: Como falo em meu texto Penumbra, aproveite enquanto a luz da vela ilumina bem os Mamelungos e os mantém em Recife. Aproveitem para curtir bem essa banda enquanto estão perto, enquanto são presente e enquanto estão presentes. Porque o futuro desses meninos, que continuarão sendo de Recife, será para muito mais do que Recife. Eles vão longe. Esses seis malucos movidos à Red Bull dão a impressão de que nasceram no palco.

As influências são bem perceptíveis, como eles mesmos dizem: “... vão desde a música clássica aos ícones da MPB como Gilberto Gil, Raul Seixas, Luiz Gonzaga, e arquitetos da música Moderna como Lenine, Los Hermanos, etc. Possui um repertório trabalhado prezando a precisão da cadência com as imprevisíveis harmonias sensitivas, relendo sucessos de Novos Baianos, Alceu Valença, Di Melo, Raul Seixas...”. Mas apesar de as apresentarem bem visíveis, as influências não são reprodutivas, elas fundem-se de fato em um estilo mamelungamente próprio, como um suco de salada de frutas. Já tomaram suco de salada de frutas? Se não tomaram por favor não me perguntem: Tem o sabor de que fruta? Porque não seria uma pergunta inteligente. Tem ali diversos tipos de fruta, mas o sabor é de salada de frutas. Para sentir esse sabor precisa provar. É o mesmo que posso dizer dos garotos: Tem que ouvir e ver. Não apenas ouvir as músicas gravadas que podem baixar facilmente no myspace deles, mas é preciso conferir ao vivo, porque é mais que uma apresentação musical, é um espetáculo completo de uma banda que já inicia a carreira no auge da interação, criatividade, performance, harmonização, sincronia, poesia, sentimentos, etc.

Bem, não adianta falar muito aqui porque jamais conseguiria expressar coerentemente aquele acontecimento no pequeno auditório da Livraria Cultura ontem à noite: Inexpressável. Meninos Mamelungos do Recife, parabéns, já sabem que vão longe, mas pelo amor de Deus: SUSPENDE O RED BULL.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Aquarela do nosso amor

Ver o mar, navegar
Em teus olhos, menina
Viajar e sonhar
Paraíso termina
Onde você não está

Vê lá, descolorida cinza que restou
Do quadro aquarelado, nosso amor

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Se me olhas nos olhos

Se me olhas nos olhos
Te verás desejada e amada
Não importa qual seja a estrada
Seu destino é para perto de ti

Se me olhas nos olhos
Desnudada te surpreenderás
Mergulhada em nossos lençóis
Em um transe divino-imortal

Se me olhas nos olhos
Nossos sonhos se encontrarão
Nossas vidas em vida terão
Um sentido maior para viver

E os meus braços que ansiosos te esperam
O teu corpo podendo conter
De tão plenos do intenso prazer
Jorrarão mundo afora beleza

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Desejo

Onde está você?
Que fitará os olhos na minha direção
Denunciando o brilho total excitação
Intenso desejo e ardente sede
Tal qual sedento nômade no deserto
A encontrar tão majestoso oásis
E desejar dele estar sempre perto

Quero promover o mais perfeito encontro
Dos nossos desejos mais ardentes
Do suor de nossos corpos quentes
De lábios fluindo deliciosos beijos
E na incandescência dessa euforia
De duas chamas que se consomem
Te farei plena mulher
E te serei escravo-homem

Quero desnudar-te os seios
Enquanto lábios e corpos se atracam
Quero beijar-te inteira
Degustar cada detalhe
Nos transportar a um outro mundo
Um mundo exclusivamente nosso
Onde os prazeres não têm limites
E tudo quanto quero posso

Vem, amada minha
Despida de medo e tabu
Vamos nos entregar um ao outro
Nossos corpos integralmente nus
Despidos de toda moralidade vazia
Que conspira contra o intenso prazer
Dando ao outro o máximo de si
E o máximo do outro também ter

Desejo total expressão
Sentidos, palavras e sons
Nossos líquidos ardentes se misturando
Na harmonia dos mais belos tons
Corpos suados e entrelaçados
Conduzindo frenética dança
Até que juntos alcancemos
O clímax que o pleno prazer lança

sábado, 30 de maio de 2009

Penumbra

Uma vela acesa ao meu lado
Traz uma faísca do passado, amor
Luz silenciosa que permeia
De beleza tudo o que rodeia

A escuridão que esconde os seus
Tesouros mais secretos
Ofuscados pelo excesso
Do Fulgor da luz dos refletores
Sóis que roubam a beleza
Mais profunda dos detalhes
Que só a penumbra pode dar


Sentado à meia escuridão, parcialmente interrompida por uma pequena vela acesa sentada ao meu lado no sofá de casa. Percebo que os objetos ao redor da luz de uma vela trazem uma beleza que uma luz mais intensa não pode proporcionar. A quantidade de informações que se tem dos objetos é bem menor sob a luz de uma pequena vela, mas a profundidade das informações é inigualável. Uma luz elétrica de forte intensidade como as que usamos apresenta todos os objetos ao seu redor no mesmo plano. Tudo muito bem iluminado. Dependendo da quantidade destes, ficamos à nossa frente com um sem-número de coisas com as quais podemos nos distrair. São fontes iluminadas implorando por nossa atenção. Uma vela acesa não tem um alcance luminoso capaz de descobrir a nós tudo ao mesmo tempo. Ela não tem o poder de simular na noite a luz do dia. Para descobrir o universo ao nosso redor é preciso que nos desloquemos conduzindo a luz da vela junto a nós. E assim a sua luz nos apresentará os detalhes de cada objeto. Detalhes que passariam despercebidos se tivéssemos todos ao mesmo tempo à nossa mira. Uma descoberta gradativa forçando-nos a dedicar mais atenção aos objetos mais próximos revelados pela fraca luz. A vela geralmente traz consigo o silêncio. A pouca luz, poucas coisas para se distrair por vez, junto com o silêncio, trata-se de um convite para viver o presente com mais intensidade. Sim porque se nos imaginarmos numa caminhada. Uma estrada plana, longa, cheia de atrações, pessoas, paisagens, oportunidades, experiências diferentes. Imaginemos essa caminhada à plena luz onde você consegue ver as coisas que só conseguirá alcançar em algumas horas. Podemos dizer que você está enxergando o seu futuro. Seus olhos estão já se distraindo com motivos que só no futuro estarão próximos a você. Você os vê bem longe na estrada à sua frente. E é muito provável que a distração com essas coisas pertencentes ao seu futuro tire de você a oportunidade de enxergar e participar de tudo o que já está diante de você. O seu presente. Essa mesma caminhada na escuridão, parcialmente interrompida por uma pequena vela acesa, lhe obrigaria a reparar mais naquilo que está mais próximo. Pois o futuro só seria revelado quando a pequena luz estivesse presente. Quando você pudesse de fato participar daquele momento aí sim ele estaria à sua vista. Enquanto isso você seria obrigado a viver o presente com tudo o que ele oferece. Nós humanos somos muito criativos. Criamos tanta parafernalha, das quais nos tornamos dependentes, que muitas vezes é difícil saber dar importância às coisas certas. Um dia já vivemos satisfeitos apenas com comida e companhia. Hoje nós temos à nossa vista uma quantidade e variedade enorme de coisas que queremos ter para que nos consideremos realizados. Talvez uma pane global que roubasse toda a energia da terra conseguisse nos dar a oportunidade de reaprender quais são as coisas mais importantes. Já simulou como seria? Nenhuma energia elétrica. Um mundo sem luz elétrica, sem TV, sem rádio, sem computadores, sem celular... Assim aprenderíamos a dar mais valor a tudo aquilo que está bem pertinho de nós, incluindo aqueles que nos amam e a quem amamos também.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Retratação

Cláridas belezas!
Já não vejo
As cores-luz do dia
Lembranças de alegria
Pegadas no vazio
Já não vivo

Sugaram-me as forças
Já não fujo
Tornei-me logo em réu
De um crime contra os céus
No agonizar da dor
Já não morro

Não vejo, não vivo, não fujo
Já não sou
Moldado à vontade alheia
Não morro pelo que corre na veia
Convenientemente político
Já não Eu

20/07/2004

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Dor, nascimento, beleza

(ref.: Foto com destroços deixados pelo Tsunami)
Uma onda gigante, um desastre enorme
Muito grito, desespero, muita morte
Nas fotos, amontoados, dezenas de milhares
Corpos, lixo em excesso de um destino sem sorte
Que é o homem, o que é a vida
Vapor que faz renascer a pergunta antiga
Por que viver, qual o sentido?
Coma bem, fique em forma e morra de qualquer jeito
O que vale a pena? Há alguma coisa?
Nasce, vive e morre. O que fica?
Todo sofrimento já se foi?
E quanto valeu enquanto esteve?
Com sofrimento nasceu pela dor
Viveu...para sofrer viveu
Morreu...pelo sofrer morreu
Deixou...para a nova geração deixou o sofrer
Mas do sofrimento também sai luz
As mais belas coisas nasceram da dor
Belos sentimentos fazem sofrer
Do sofrimento a beleza deve ter nascido do criador
Dor, nascimento, beleza
Herdeiros do dom de fazer nascer, criar
Herdamos o dom de sofrer
07/01/2005

O Sexto Sentido

Leia, por favor, esta carta, entenda-me, peço, e ajude-me...
Estou só
A angústia preenche todo o meu ser
Sinto em meu corpo um pesar acentuando-me a fraqueza
O céu parece sombrio e triste
A brisa que passa parece levar consigo toda a minha esperança
Os dias passam como um pássaro errante que não se pode prever onde pousará
Todos parecem não me enxergar ou não perceber minha carência
Tenho medo
Ao lado de meu amigo Hoje fujo desesperado do maldoso Ontem
Este quer tirar-me o vigor fazendo-me temer sempre o fantasma Amanhã
Ouvi dizer que poderia ajudar-me, mas como se nunca o vi?
Espere! Nunca vi também Platão ou Sócrates (por Platão), Homero, Dante ou Kant, Michelangelo, Bach, Mozart e tantos outros, digo, os vejo sim
Vejo-os por suas obras magníficas
Da Vinci, Raphael, Van Gogh e outros artistas incríveis comparados a ti tornam-se apenas reprodutores das tuas obras
Sim eu te posso ver, mas nunca pude tocar-te ou sentir o teu toque
Talvez esteja enganado, ou melhor, estou, pois sou tocado pela brisa que mandas
Posso senti-la em todo o meu corpo
Posso sentir as águas marinhas ou fluviais envolverem-me ao mergulhá-las
Sim, sinto o teu toque, e agora acordo, abro os olhos
Posso também sentir os perfumes que criaste
Flores, relva, perfumes de todas as cores, uma natural aquarela aromática
Sinto o sabor das delícias mil criadas por ti para o nosso paladar
Posso ouvir os sons multiformes dessa vasta natureza
Águas, pássaros, animais diversos, uma orquestra sinfônica de uma harmonia inigualável
Isso poderia já ser tudo, mas dotaste-nos também de um sexto sentido
Com este posso ver-te melhor, ouvir o doce tom da tua voz, sentir o sabor de tua companhia
O cheiro suave da tua paz e o teu toque de amor
E mesmo quando me faltarem todos os sentidos, posso crer que estás ao meu lado
Posso conversar contigo, converso contigo
Agora não estou mais só
Sinto paz, alegria, tudo é belo
O céu abriu-se em esplendorosa e magnífica beleza
A brisa traz-me de volta a esperança
Meus dias despontam tal como a flecha disparada pelo arco em lugar certeiro
A força de nossa relação completa-me, ajuda-me
A viver bem com meu amigo Hoje sem fugir do maldoso Ontem e
Correndo ao encontro do “não mais fantasma” Amanhã com esperança e segurança
Obrigado, meu Deus Pai, Amigo presente que tantas vezes
Com o filho fazendo-se ausente
Continua pra sempre presente ao meu lado.