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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

10-Construir / 10-Igualdades

As desigualdades entre os homens não se mostraram ausentes em um momento sequer da história da humanidade. Fome, miséria, e toda a sorte de mazelas sociais sempre conviveram lado a lado com a fartura, riqueza e todas as benesses promovidas pela concentração de recursos. Protestam os mais fracos, conquistam, fracassam, morrem. O poder oprime, coíbe, cala, perde, ganha, morre. Ciclos se repetem. Sempre existirão ricos e poderosos. A miséria nunca terá fim. Lutar por quê? Lutar para quê? Se o tempo é tão curto para um ser mortal. Desperdiçá-lo em uma tarefa irrealizável não seria afrontar a própria vida, tal quais os suicidas? Não a tirar a vida do corpo, mas a tirar a vida da própria vida.

Ao discursar sobre a origem das desigualdades, Rousseau nos confronta com o que chama desigualdades naturais, aquelas que não se originam das estruturas sociais vigentes e sim da própria natureza. Doenças e deformações de nascença estariam entre as tais, que naturalmente representariam oportunidades desiguais e desvantajosas àqueles que tivessem sido os escolhidos para tal sorte. Essas desigualdades são atribuídas ao “mistério divino” e para esse mistério são apresentadas explicações diversas, pelos diferentes tipos de segmentos religiosos.

Acreditas em Deus? Se acredito em Deus sou então forçado a questionar o que tornaria a desigualdade de origem natural (divina) menos cruel que as desigualdades provocadas pelos homens? Penso logo que a motivação seria algo interessante a considerar. As desigualdades de origem humana são conseqüências da ganância e sede insaciável de poder e riqueza por alguns. Não poderia atribuir a Deus, assim como o concebemos, origem de tudo, criador, busca semelhante por poder, riqueza ou qualquer outro benefício, já que nada disso seria necessário para Ele. Prazer, talvez? Um Deus sádico que se comprazeria em escolher alguns para enfrentar dificuldades maiores que os demais? Surgiu-me desta última questão uma diferença quantitativa: As desigualdades naturais recaem sobre uma minoria dos seres, enquanto as de origem humana condenam uma maioria para manter os caprichos ilimitados de um punhado de gente. Ponto para a crueldade dos homens. Nesse caso para a minoria dos homens.

Bem, não consigo ir muito longe. Jamais teria uma resposta lógica para explicar o porquê das desigualdades naturais. Por que alguns são escolhidos para serem mais fracos, franzinos e outros mais robustos? Uns perfeitos e outros com algum tipo de deficiência? Não tenho respostas e não quero buscá-las no além. Me contento em reconhecer minha limitação sem necessidade de ter resposta para tudo com o intuito de encontrar paz.

Se não acredito em Deus então perguntaria se a própria natureza é origem de desigualdades, porque deveria o homem, parte integrante dessa natureza, ser diferente?

[vou dormir, continuo depois]

Um comentário:

Platônidas disse...

Como sempre ... um texto profundo e reflexivo! Parabéns!