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domingo, 22 de agosto de 2010

Ao Amigo da Vila Maravila

Há um monte marcado
Há um marco no monte
Uma luz no horizonte
Uma fonte, uma veia

E a vida é feita
De campos monteiros
De pontos marcados
De montes marqueiros

Se os Marcos Monteiros
Que surgem na vida
De vindas e idas
De altos, rasteiros

Trouxerem-te a graça
Cruzar-te o caminho
Não percas o vinho
É Marcos Monteiro

Tive muito recentemente a honrosa visita de um grande amigo. A pretensão de aqui dizer "grande" não se refere ao tempo que tenhamos passado juntos. Mas, sabe aquelas pouquíssimas pessoas que surgem na sua vida e que você pode continuar sendo totalmente você quando em sua presença? É isso!

Ele veio me presentear com o seu mais novo livro: Vila Maravila: um lugar diferente e cheio de graça. Falo já do livro. Deixe-me falar um pouco do autor, o pastor Marcos Monteiro, amigo que só conheci quando iniciei as minhas atividades pastorais na Primeira Igreja Batista em Bultrins, Olinda, em 2003, no colegiado de pastores do qual ele já era parte.

De lá para cá Marcos se tornou uma das pessoas que mais admiro nessa minha curta existência. Ele desafia a tendência de um altruísta tornar-se um egoísta antes dos quarenta anos de idade. É daquelas pessoas que, se não tiver alguém por perto que possa se preocupar com ele, termina oferecendo a própria roupa do corpo para socorrer a quem precisa. Um dos maiores teólogos vivos que conheço, que fugiu do mesmismo de reproduzir uma teologia pobre e “desumanizante” e tem contribuído enormemente para uma teologia que parte do próprio contexto (nordeste brasileiro). Apesar de sua genialidade e talvez mesmo por sua causa, o seu reconhecimento não corresponde à altura de sua importância.

Quando Mill, em sua obra “Sobre a Liberdade” fala que “...os indivíduos excepcionais, em vez de serem intimidados, deveriam ser encorajados a agir de um modo diferente das massas” eu lembro de Marcos Monteiro e de mais algumas pouquíssimas pessoas. São pessoas que mereciam um espaço de destaque entre nós para que pudessem expressar com liberdade as suas idéias e “loucuras”. Mas são pessoas que, baseado em nossa história, possuem um reconhecimento bastante tardio, porque estão à frente do seu tempo.

Bem, percebo que o meu manejo com as palavras jamais fará jus à descrição dessa figura quase mítica. Apesar de ele ser já conhecido em todo o Brasil e até no além-fronteiras, sei que o futuro ainda reserva o reconhecimento mais próximo do merecido.

Agora, sobre o livro, o que posso dizer é o seguinte: Não consegui ler muitas páginas ainda. Na minha opinião, não é um livro daqueles que se lê de cabo à rabo de um só vez. São textos bem pequenos, mas de uma riqueza e efeito inexpressáveis. Palavras simples, mas costuradas com uma maestria tão singular e tão carregadas de sentidos e sentimentos que promovem reações que não se podem acumular em um só tempo. É como aquele banquete delicioso que desejamos comê-lo todo, mas que durante a relação palatal descobrimos a limitação do corpo em propiciar espaço para tamanha sustança. É necessário um certo tempo para a digestão. A ilustração fica ainda melhor se pensarmos nas palavras em estado gasoso. Ocupando todo o espaço, numa dança desordenada e ordenada, que cria e recria, que constrói e desconstrói e que pede saída. São palavras que se negam a simplesmente tomar assento ou pousar, mas exigem serem externalizadas em ações concretas, elas querem voar. Palavras que nos trazem de volta à mais humana humanidade.

Os textos trazem assuntos diversos de nossas vidas, através do dia-a-dia da Vila Maravila, “onde os dois maiores regentes do cotidiano brasileiro, a política e o futebol, jogam as cartas para que os jogadores e habitantes da vila dêem seus próprios lances e expressem suas abalizadas opiniões”. É um livro que pode ser lido por fiéis e ateus, por quem gosta e quem não gosta de futebol e política. Um livro para todas as etnias, para todos os comportamentos sexuais e idades. Um livro sem rótulos, assim, simples, como é ou deveria ser a vida. Simples e pleno. Humano e humanizante.

Eu só li até agora quatro dos quarenta pequenos textos, mas posso afirmar que tão somente o prefácio já pagaria o livro. Esse que recebi foi presente, mas agora não posso deixar de também presentear alguém com um exemplar. O meu vou ler assim, um texto por dia. Pelo menos assim que a minha tia devolvê-lo. E o seu?

“Quando ligeiro voam as palavras, lançadas pela inquietude, pela saudade e pelo desejo, de um povo que não consegue se conformar, elas procuram pouso em seus respectivos objetos” Marcos Monteiro

Blog de Marcos Monteiro: http://www.madoniram.blogspot.com

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