Bem-vindo ao nosso Blog

Esse espaço é seu e suas opiniões e comentários são essenciais para que possamos torná-lo o mais útil e agradável possível. Obrigado! <<<(((||)))>>> "Enfim, é disso de que trata o blog, de assuntos variados que traduzam com palavras simples e críticas esses caminhos e descaminhos que a humanidade percorre na estrada da vida, expressos através de um desejo profundo e intimamente meu: Quero ser mais humano: menos hipocrisia, menos espiritualidade alienante, menos moralidade vazia, muito mais HUMANO."

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O Prazer da carne e a carne do Prazer


De longe já era possível vê-la

Parecia propositalmente posicionada para formar, com tudo o que a rodeava, uma obra de arte única e bela.


Envolta em cores e texturas que remetiam aos olhos o convite irrecusável da aproximação. E eu me aproximava e quanto mais perto me punha, mais belo se tornava todo aquele ambiente, erigido exclusivamente para o Prazer. Ela lá, parada, não precisava pronunciar uma palavra sequer. Dela, além da visão estonteante que o encontro da luz proporcionava aos meus olhos, parecia bailar uma harmoniosa sinfonia aromática, que me descolava do chão a flutuar em sua direção.

Enfim, próximo o bastante para sentir em meu próprio corpo o calor que fugia do seu, daquele seu corpinho suave, macio, fonte de todos esses prazeres preliminares que já não mais me permitiam qualquer uso da consciência ou razão. Estava entregue, completamente, à magia dos sentidos, da emoção, da força incontrolável do desejo, da ânsia incontida de explorar, ampliar, prolongar o prazer até o sem-limites.

Mas não poderia tocar, já, assim, de uma forma tão direta, na carne, mesmo nesse estado em que me encontrava, completamente embevecido, aquele momento era diferente, havia um quê de curiosidade, de experimentar algo novo, de brincar um pouco, de adiar o fim, de aproveitar melhor o jogo ao invés de querer chegar rapidamente ao clímax, que apesar de carregar o estopim do prazer, carrega, igualmente o início do fim.

Fechei os olhos por um momento e procurei me deliciar com o seu cheiro, aproximei a minha respiração ao ponto do último limite antes do toque direto, na carne, inspirei e, nesse instante, quase que o fim chega antes de começar. Desacostumado com esse tipo de abordagem, onde a melhor distância entre dois pontos é o rodeio, tive uma certa dificuldade em me conter, o quase fim voltou ao começo e continuei… Expirei, um ar tão repleto de uma mistura de desejo incontrolável e prazer intenso que o calor pareceu ter tornado o seu corpo ainda mais rubro do que estava outrora. Junto ao ar, saiu um breve gemido que não conseguia esconder o tamanho daquela sensação tão nova e avassaladora.

As minhas mãos, sedentas, de uma forma que não sei explicar, lentamente, mas voando desesperadas, em câmera lenta, mas velozes, plenamente tomadas de inveja pelos cheiros que não podiam provar e o deleite visual que não lhes era possível ter, reivindicavam para si uma fatia nesse ritual, nesse culto ao prazer. E tocaram, enfim, ainda não diretamente, na carne, mas nos tecidos que lhe antecedem, e pareciam-lhe extremamente agradáveis. Elas passeavam, sentindo as diferentes texturas, em diferentes curvas, e agora o toque, os cheiros, as imagens, unidos no mesmo intento, o prazer, o prazer, o prazer. E foi assim que as mãos, como que garantindo que aquilo que era tocado no momento não fugisse, segurando firmemente os dois rubros que estavam cobertos por aquele fino tecido, convidaram os meus lábios a se juntarem àquele jogo de sedução e prazer.

E quanta maciez os meus lábios puderam sentir, mesmo que o contato se desse com aquele fino tecido que me separava da fonte real do sabor. E meus lábios percorriam aquela protuberância rubra, coberta por aquele fino tecido, também rubro, e cumeado por uma textura mais rígida e concentrada que a cada encontro nesse vai e vem, dava um pico no prazer, quando era preciso me segurar para não antecipar o fim. A vontade, na verdade, era que esse fim nunca chegasse. Eu queria estar ali, naquela brincadeira, naquele jogo maravilhoso, para sempre.

Eu queria mais, queria avançar, já era o momento, os líquidos anunciavam. Os meus o desejo de comer, a carne, sem mais finos tecidos, sem mais quaisquer tecidos, e os líquidos que brotavam dela, como uma fonte aromática, o desejo de ser possuída por aquele que a desejava mais que tudo nesse momento. Então providenciei para que os tecidos não mais existissem. Agora sim, com a ajuda das habilidosas mãos e dos olhos, providenciando o encaixe perfeito, quando uma carne é abrigada pela outra, quando a dança dos dois vai passando da sublimidade de uma valsa para a firmeza e movimento de um tango, o que era quase um solo se transforma em uma orquestra. Os sons se sobrepõem, gemidos de prazer, o frigir dos encontros e reencontros, do vai-e-vem sem fim, o trabalhar das mãos, os cheiros, as imagens, os líquidos, ardendo, queimando, os sabores mil que os meus lábios sentiam ao passear por cada espaço daquele corpo, agora diretamente, na carne, macia, molhada, saborosa, com mil sabores, mil texturas, mil fontes de prazer. Aquilo não dava mais para segurar, era o máximo que aquele vulcão poderia se agitar sem que precisasse explodir. Deu-se o som estrondoso, fatal, o gemido final, prolongado e altissonante, e todo o meu corpo explodiu junto provocando-me quase um desmaio que me impossibilitou ficar de pé por uns bons momentos.

Agora faço uma pergunta que no fundo é um convite desafiador para você que ainda está lendo esse texto: Se comer dois tomates inteiros antes de saborear um pedaço de carne pode vir a trazer tanto prazer, dependendo da forma como será a sua relação com essa comida, imagina o que a gente não pode fazer para ter mais prazer nessa vida, heim?



Recife, 17 de fevereiro de 2011, 14:02


7 comentários:

Léo disse...

Olá Bruno, blz?

Conheci seu espaço através do blog de um brother meu, Marquinhos (Conversa Gabiru). O titulo me chamou muito a atenção, pois também estou nessa jornada na tentativa de ser mais humano.

Fiquei ainda mais feliz por ter conhecido seu blog exatamente com essa postagem primorosa... Admiro muito quem tem essa habilidade de brincar com as elucubrações dos mortais através das palavras... Parabéns!!!

Confesso que brincou com a minha, pois não sou muito fã de degustar um tomate dessa forma, mas como você mesmo disse: imagina o que a gente não pode fazer para ter mais prazer nessa vida, heim? rsrsrs

Pretendo voltar aqui mais vezes, já estou te seguindo... Convido-lhe para dá uma passadinha no meu espaço também http://leomsp.blogspot.com/ é que após ter conhecido os blogs dos meus amigos: Neta, Marcos Felipe, Ana Paula e Aninha, eu resolvi me arriscar nas palavras também. Seja bem vindo!!!

Abraço!!!

Bruno Montarroyos disse...

Obrigado, Léo, esse tipo de retorno é muito importante pra mim. Visitarei o seu blog sim. Grande Abraço !!!

Alan disse...

sem palavras... rsrsrs

angelica disse...

Para o trabalho que gostamos levantamo-nos cedo e fazemos com alegria.
(William Shakespeare)
Voce está de Parabéns muito bom esse texto.

Vivis disse...

enquanto lia tava tentando adivinhar em qual comida especificamente esse meu cunhado estava se referindo... rsrsrs
Congratulations!!! pela atençao que voce faz com que o leitor tenha quando ler o seu texto.. bjs

Fernando Dantas disse...

Pô Brunão, show de bola este texto. Você realmente sempre se supera.

Grande abraço meu irmão.

Anísia Neta disse...

Hummmm... que delícia!! O corpo desse texto me deixou com água na boca... rsss