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quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Diego JP

João Pessoa, 14 de Abril de 2005

Tio, me dá um pouco de coca-cola. Foram as únicas palavras que ele me dirigiu. Olhei para o copo cheio, mas logo lembrei que a latinha ao seu lado já havia sangrado até a última gota, deixando ao copo os últimos momentos de prazer. Restava pouco do meu purê de macaxeira com carne de sol e strogonoff de frango, pelo qual paguei R$ 3,50 e que junto com o último copo de coca esperava a consumação daquele momento. Diego – Ah, sim, esse era o seu nome, mas que importa, era apenas mais um menino de rua – Ele comia também o seu purê de macaxeira com carne, como o fazia todos os dias. Pra que tudo fique mais claro, deixe-me voltar um pouco pra contextualizar o momento.
Estava em João Pessoa em mais uma de minhas viagens de trabalho. Era dia 14 de abril de 2005. Resolvi sentar à noite em uma das barracas da feirinha que vendia purê de macaxeira. Fiz o meu pedido (esse você já sabe e não vou repetir). Enquanto comia, uma série de meninos de rua foi aparecendo na barraca. Eles conheciam a dona da barraca e a chamavam de tia. Ela os chamava pelos nomes. Parecia acompanhar a vida de cada um. Perguntava sobre a escola, se ainda estavam ou não cheirando cola, etc. Durante os 20 minutos que passei lá cerca de oito deles comeram de graça o mesmo purê que os clientes pagavam. Achei muito interessante aquele fato que mais parecia uma aberração da natureza (naturaldureza com que tratamos pessoas como aqueles garotos). – Diego, diga aos meninos que joguem as vasilhas no lixo, porque ontem achei um monte delas no chão e isso não se faz. E aquela senhora logo viu a resposta à sua solicitação quando volta o Diego de longe, onde estavam os outros comendo, com as vasilhas vazias para jogar no lixo.
Depois de pensar um bocado na terrível falta que me faria terminar aquela macaxeira com meu último copo de coca-cola pude dizer: - tome, pode pegar. O prazer com que comeu e bebeu fez-me sentir um nó na garganta por haver pensado tanto antes de lhe dar o que pedia. – Senta aí; foram as palavras que saíram como um pedido de perdão, palavras que ele fingiu não ouvir e que eu fingi não ter dito.
Saí dali com a triste comparação entre a senhora que arriscava seu pequeno comércio alimentando meninos de rua (além de fornecer o seu produto de graça para aqueles garotos, muitos fregueses com certeza seriam perdidos com os convidados indesejáveis) e o pastor que teve dificuldade de repartir um pouco de coca-cola.

Um comentário:

Spi disse...

A-D-O-R-E-I a história. É incrível como o cotidiano é cheio dessas pegadinhas...