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quarta-feira, 29 de julho de 2009

Eu tô pagano!

- Gravatinha, olha só o que eu inventei!
- Mas que geringonça é essa, Ami? Quantos botões!
- Esse botão aqui resolve de vez os problemas de saúde da humanidade, inclusive a AIDS. Esse outro acaba de uma vez por todas as dificuldades com a segurança. E esse...
- Calma, amigo, o que você está fazendo? Já pensou nas conseqüências de tudo isso? Sabe quantas pessoas dependem da indústria farmacêutica para sobreviver? Sabe a quantidade de desempregados que essa sua máquina colocará nas ruas? E as empresas de segurança da mesma forma. Esses dois setores cresceram de uma forma assombrosa nos últimos anos e essa máquina aí pode destruir a vida de muita gente. Eu mesmo tenho uma grande empresa de segurança e tenho muitos negócios envolvendo a indústria farmacêutica e as empresas prestadoras de serviços de saúde.
- Nossa, gravatinha, não tinha pensado dessa forma. Nunca pensei que o fato de não haver mais doenças e nenhum tipo de violência poderia prejudicar numa intensidade tão grande a humanidade. Quero ajudar a melhorar e não tornar ainda pior a situação do povo. Vou fazer uns ajustes na máquina e vamos conseguir fazer crescer ainda mais esses setores. Vamos encher o mundo de doenças. Vamos disseminar a violência.

Diz-se que os serviços contra incêndio (bombeiros) começaram como empresas particulares. Se a sua casa estivesse em chamas e você não fosse um cliente não seria atendido. A lógica da empresa privada funciona em torno do lucro/prejuízo. O interesse humano só quando for um meio de ter mais lucro. A lógica do setor público é o bem-estar social. Ou pelo menos deveria ser.

Já parou para observar como acontece um processo de privatização em nosso país? Primeiro é preciso que o serviço que será privatizado esteja sendo oferecido de uma forma muito precária pelo governo. Depois a população precisa ter certeza de que a melhor solução seria permitir que uma empresa privada assumisse a responsabilidade. Consentida pelo dono (o povo), a venda, às vezes quase doação, é realizada geralmente de uma forma bem irregular enriquecendo alguns que participam do processo. Assim venderam a “falida” Vale do Rio Doce em 1997 por 3,3 bilhões de reais. Dez anos depois a VALE valia 300 bilhões. Foi assim com a TELEBRAS e com tantas outras.

A saúde ainda não foi privatizada e nem a polícia. Quer dizer, pelo menos não foi oficialmente. É crescente o número de residências que têm contratado serviços de segurança patrimonial e esse é apenas um exemplo. Até nos bairros mais pobres são encontrados pelo menos aqueles guardas comunitários com um apito na mão, que mensalmente batem à sua porta para receber pelos serviços prestados. Não se confia mais na polícia. Ninguém que tenha a oportunidade de ter um plano de saúde, por mais simples que seja, vai optar pelo sistema público de saúde. Ninguém acha que o serviço público de saúde no Brasil é bom.

É possível haver melhoras nesses serviços:
- Se muitos dos que estão nos representando têm empresas ou pelo menos alguma forma de lucro nesses dois setores?
- Se o aumento de assaltos, da insegurança coletiva e das doenças ajuda essas empresas a crescerem cada vez mais?

Pergunta: Se o aumento da violência e das doenças te tornassem cada vez mais rico você ajudaria a acabar com esses problemas, provocando a sua própria falência? Ou torceria e até mesmo contribuiria de uma forma que os seus negócios fossem cada vez melhor?

Do jeito que as coisas andam chegaremos ao mundo do “quem puder pagar”. Quem puder pagar tem saúde, hospital, segurança, polícia, bombeiro. E quem não puder?

2 comentários:

João Victor disse...

Caro Bruno, sinceramente, descordo parcialmente com o desfecho do texto: acredito que já chegamos ao mundo do "quem puder pagar". Lembremos que, apesar de ainda haver serviços de saúde e segurança públicos, este são prestados de forma tão precária que atualmente já não satisfazem as necessidades sociais, e somente os cidadãos dotados de capital é que podem poagar por um serviço digno (particular).

Bruno Montarroyos disse...

É vero, caro amigo! Tens razão !