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sexta-feira, 8 de julho de 2011

Meu malvado favorito

Apesar de já ter assistido ao filme pelo menos umas cinqüenta vezes (graças à minha pequena Sofia), não é do senhor Gru que vou falar. Gostaria de pensar sobre outro vilão, outro criminoso, talvez você o conheça. Hoje ele é herói e muito provavelmente é assim que você o conhece, mas em sua época foi julgado, declarado culpado e condenado à morte, com o apoio do povo.
Existem as leis e os costumes. Existem os costumes aos quais chamamos bons. Costumes se tornam leis e leis se tornam costumes. Ambos nascem da necessidade ou com o objetivo de tornar a nossa vida melhor. Pena que tantas vezes tornam-se maiores, mais importantes que a própria necessidade ou o próprio objetivo que os gera. Assim, teremos sempre aqueles (humanos) que existem para proteger as leis e os costumes e aqueles que existem para proteger os seres, a vida, uma vida de qualidade. As leis e os costumes existem para os homens como os alimentos existem para os corpos. São meios para uma finalidade maior. Se os alimentos fossem o fim em si mesmos, ficaríamos protegendo os nossos pratos, cheios, protegendo inclusive de nós mesmos, até definharmos de fome.
Leis e costumes têm forte tendência de escravizar os homens a quem deviam servir para tornar-lhes melhor a vida. Na nossa história, várias pessoas precisaram descumprir as leis e costumes vigentes, e incitar os demais a descumprirem também, para que a vida pudesse suplantar os pré-conceitos. Para que a essência permanecesse superior à forma. Para que o fim continuasse fim e não fosse substituído pelo meio.
Bem, voltemos ao criminoso do qual eu quero falar: Jesus. Já ouviu esse nome? Te choca chamá-lo de criminoso? Vou tentar me explicar. Jesus descumpriu algumas leis em sua época. Ele realizou ações que pelas leis de sua época eram consideradas infrações. Você sabe que ele foi crucificado. E, levando em conta as leis do seu contexto, a sua condenação não foi "injusta". Ele foi condenado e morto "legalmente". Até nos momentos finais de seu julgamento, cumprindo, já naquela época, com o mais perfeito rigor democrático. O representante do povo (político) perguntando à multidão: - Que farei desse Jesus, chamado Cristo? e o representado (povo) deu o seu voto unânime: - Crucifica! Não houveram pronunciamentos contrários à condenação, pelo menos não que tenham sido registrados. Tratava-se de um perfeito criminoso. Havia grande desejo tanto por parte do poder como por parte do povo de que fosse punido pelos seus crimes. E assim foi.
Hoje é muito fácil dizer que "Jesus é meu herói". O difícil é se permitir pensar nas seguintes questões: Nos dias de hoje, tem alguém realizando atividades semelhantes as que Jesus realizou em seu tempo? Quem? Eu estou apoiando as atividades dessas pessoas ou condenando? Elas parecem heróis para mim ou criminosas? Eu procuro fazer o mesmo que elas fazem (seguir)?
Havia um comércio que dava muito dinheiro a quem tinha muito dinheiro e tornava o pobre mais pobre.
Marcos 11: 15 Chegaram a Jerusalém. Jesus entrou no Templo e começou a expulsar os que vendiam e os que compravam no Templo. Derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos vendedores de pombas. 16 Ele não deixava ninguém carregar nada através do Templo. 17 E ensinava o povo, dizendo: «Não está nas Escrituras: 'Minha casa será chamada casa de oração para todos os povos'? No entanto, vocês fizeram dela uma toca de ladrões.» 18 Os chefes dos sacerdotes e os doutores da Lei ouviram isso e começaram a procurar um modo de matá-lo. Mas tinham medo de Jesus, porque a multidão estava maravilhada com o ensinamento dele. 19 Ao entardecer, Jesus e os discípulos saíram da cidade.
O povo gostava dos ensinamentos de Jesus, e de suas ações. Eram ensinamentos e ações que promoviam o bem, a igualdade, a justiça, o amor. O problema é que suas ações mexiam nos bolsos dos grandes e os doutores eram logo convidados a usar a Lei (usada apenas pelo que está escrito, sem considerar os porquês de estar escrito). Começaram a acusar Jesus de infrator e assim a coisa mudou. Quando colocaram os costumes, muitas vezes ultrapassados em seus objetivos de tornar a vida melhor, acima desses objetivos, acusando aquele que estava agindo diferente do que a Lei ordenava, o próprio povo se voltou contra aquele que estava sendo taxado como criminoso. Ninguém quer estar vinculado a alguém que é chamado de infrator, criminoso. Então a sugestão de condenação foi aceita e o povo passou a condenar também. Condenar é muito fácil. Se juntar a uma maioria que condena é cômodo. Difícil é ter opinião própria, enxergar com os próprios olhos, e aceitar o compromisso de defender a vida, o ser, ainda que façamos parte da minoria que é taxada de infratora, criminosa, pervertida.
O que estou querendo dizer com tudo isso? Ainda não caiu a ficha? Pense um pouco... Reflita um pouco... Procure pessoas, grupos, movimentos que estejam sendo taxados como infratores, criminosos, maginais, mas que, de repente, podem estar praticando as mesmas atividades que Jesus praticou, em defesa dos fracos, da justiça, da equidade. Será que isso existe hoje? Desconfio que sim. Dizer Jesus é meu herói, sem falsidade, seria buscar fazer o que ele faria hoje e não simplesmente vibrar pelo que ele fez no passado. Se já tem gente fazendo isso hoje, podemos nos juntar. A não ser que você prefira esperar quando eles não forem vistos mais como criminosos e forem chamados de heróis. Mas nesse ponto, o galo já terá cantado. Leia também: Seguidores dos que já foram.

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