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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Vida Privada


Privacidade, como é bom, não é mesmo? Minha casa, meu quarto, meu carro, minha sala no trabalho, meu email, minha própria conta em uma rede social na internet.


Ah, vida privada, quanta vida há na tua privada? O que restou e restará da vida comum, da comunhão, se o que está na moda é a privada, da privação.


Na comum o bem maior é o outro, a relação. Na privada, o retorno da exclusividade infantil do "Eu" é que se afirma. Personalização, promoção pessoal, torne-se rico, faça seu primeiro milhão, troque o seu carro, compre a última invenção, adquira a nova versão, seja um empreendedor, compre, assine, troque.


A privacidade é tudo. Priva a cidade de praças, priva a cidade de parques, priva a cidade de mobilidade urbana. Priva a cidade de gente. Como está privada a nossa vida. Privada de direitos sociais, privada de empatia, de solidariedade, de altruísmo, engajamento social, de lutas por interesses comuns, esses da comunhão.


Reclamamos de trânsito, mas continuamos sonhando com um carro que dirigiremos sozinhos. Reclamamos da falta de segurança, mas não queremos estar nas ruas, para torná-las mais seguras. Se cada 50 carros do trânsito fossem substituídos por um ônibus, teríamos um deslocamento mais flúido. Se voltássemos às ruas em vez de superlotarmos os shoppings ou estarmos em casa com medo, assistindo o show do temor na TV, teríamos ruas cheias de gente e, consequentemente muito mais seguras, sem necessidade de aumento de efetivo policial. Além de estamos em um ambiente muito mais saudável.


Porque não estamos nas ruas? Porque achamos perigoso. É melhor ficar dentro de casa, assistindo televisão. Melhor ir para o trabalho de carro, mas não precisar estar na rua e nem usar um transporte público ruim, por isso há muita gente sonhando com o próprio carro. Melhor ir para um shopping center do que se arriscar nas ruas. E assim vivemos na nossa vida, não mais de comunhão, vida comum, mas vivemos na outra vida, essa privada, e na privada vivemos, trancados, em casa, no trabalho, em um carro ou mesmo trancados na tela de um celular, mesmo quando há gente de verdade ao nosso lado. Ah, e não venha me dizer que as relações dentro de um shopping são iguais às de uma praça. Na praça as pessoas se conhecem, conversam, estão lá para o encontro. No shopping as pessoas nem se olham e estão lá para uma outra atração, que não é o outro, mas as coisas que podem comprar e consumir.


Não é na vida comum que temos investido. Temos investido na privada. Isso é muito interessante para um sistema capitalista. Melhor que cada pai e cada mãe compre o próprio arsenal de brinquedos para os seus filhos do que terem um parque ou praça pública onde eles brinquem com os filhos dos vizinhos. Na privada estamos colocando o foco das nossas relações. Cada um procure o seu próprio meio de melhorar o seu deslocamento até o trabalho, de oferecer lazer aos filhos.  Cada um por si.


Procure o Shopping mais próximo da sua casa. Lá você pode encontrar tudo. Vá a um super hiper mega mercado, pois lá existe variedade, conforto e preço. Enquanto isso, concentramos mais e mais as riquezas. Quebramos os pequenos comerciantes e enviamos cada vez mais os nossos salários a quem já muito possui. Mas que importa que haja condições de exploração desumana de força de trabalho? Desde que eu não veja e que possa comprar mais barato.


Estou aqui, nos meus pensamentos, tentando identificar quão privada está a minha vida e buscando meios de me reeducar. E você, consegue enxergar o quanto a sua vida está privada?

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