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domingo, 27 de julho de 2014

Ditacia e Democradura

Por Bruno Montarroyos

       Certo casal tinha três filhos da mesma faixa etária e de mesmo porte. À hora das refeições, o primeiro punha em seu prato 80% da comida disponível na panela. Os 20% da comida restante era igualmente distribuído pelos demais membros da família: o pai, a mãe, que se chamava Democradura, e os dois irmãos do primeiro que se serviu. Os pais tentaram convencê-lo a ter mais consciência, mas sem sucesso. Com o tempo, os irmãos subnutridos até tentaram impedir o irmão egoísta e obeso a continuar cometendo tamanha injustiça. Tentaram se servir antes dele, mas estavam tão fracos que eram jogados longe pela sua força.

Alguém que soube o que estava acontecendo advertiu os pais: - Vocês deveriam estabelecer o limite da comida que ele pode colocar no prato. Mas os pais o questionaram: Isso não seria privar-lhe de liberdade? A liberdade de poder comer o quanto quiser e conseguir? Não seríamos ditadores? Além disso, se ele consegue, pela sua própria força, continuar fazendo isso e seus irmãos não conseguem o mesmo, logo, ele deve merecer o pagamento pelos seus esforços. Se os irmãos dele se esforçarem, chegarem à panela primeiro que ele, conseguirão também fazer o mesmo. Por enquanto não estão se esforçando. Um dia, Acreditamos que esse irmão mais forte vai estar tão satisfeito, que naturalmente vai sobrar mais comida para seus irmãos.

Em uma outra família, de igual formação, onde estava ocorrendo exatamente a mesma situação, e onde a mãe se chamava Ditacia, os pais intervieram e não mais permitiram a divisão desigual e injusta. O irmão egoísta revoltou-se e saiu gritando na rua: - Os meus pais me tiraram a liberdade até de comer. Não posso me servir como quero; E as pessoas na rua ficaram revoltadas com a notícia, e diziam: Que pais autoritários! que ditadores!

E assim seguiam as duas famílias: A primeira família, onde um membro estava obeso e quatro subnutridos. Esta família tinha fama de democrática. E a segunda família, a que todos estavam bem alimentados, mas que tinha a fama de viverem uma ditadura. Tanto que um chefe de uma terceira família se interessou de encontrar outras famílias que o apoiassem na causa do irmão que gritava na rua clamando por justiça. Eles iriam invadir a casa para estabelecer a democracia. O chefe desta terceira família iria também aproveitar o ensejo para se apropriar se uma vaca leiteira da família que seria o alvo da “ajuda”. Essa vaca ajudaria muito a sua própria família, pois o leite é um item que mais esta tem carecido. Mas o seu interesse pela vaca ele não precisava expor para ninguém, pois precisava convencer a todos que o motivo da invasão era salvar aquele irmão que está sendo privado de sua liberdade.


Tal contexto dividiu a opinião de muita gente. Juntaram-se muitos ao chefe da terceira família e criaram o movimento dos defensores da democracia, da liberdade e da família. Outros, olhavam para aqueles quatro membros subnutridos da primeira família, e tendo-os ouvido e ouvido também os membros da segunda família, aquela do irmão obeso que gritou na rua, lutavam por uma distribuição melhor e mais justa. Os pais da primeira família continuavam acreditando na justiça de suas ações e jamais tirariam a liberdade de seu filho obeso, por seu próprio mérito, conseguir uma porção maior de comida. Os seus dois irmãos continuaram fracos e sentindo-se injustiçados. Começaram até a fazer alguns saques na rua para tentar conseguir um pouco do que lhes faltava. O obeso da segunda família continuava ganhando adeptos, junto com o chefe da terceira família, para estabelecer a democracia em cada vez mais lares afetados pela ditadura. Esta parceria serviu-lhes bem, comida em abundância ao obeso e novas vacas leiteiras ao lar do chefe da terceira família. A parceria deu tão certo, que já não precisavam eles mesmos ficarem tentando “fazer a cabeça” dos membros de outras famílias. Compraram canais importantes de TV, jornais, revistas, formadores de opinião, educadores e muito mais e conseguiam chegar com as notícias que queriam, do jeitinho que queriam em cada casa.

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