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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Economia para quem?


Por Bruno Montarroyos

A parábola abaixo faz um reducionismo de toda uma nação a uma pequena comunidade. Além disso, não é uma parábola escrita por um economista, logo não se deve esperar conhecimentos maiores do que os de um mero curioso amador nesta área. Apesar do pecado reducionista e da limitação dos conhecimentos econômicos do autor, pode facilmente ser o ponto de partida para o caminho de uma compreensão mais complexa, como merece um sistema de relações tão complexas como um país. Vamos a ela:

Era uma vez um fazendeiro que descobriu que em suas terras havia ouro. Resolveu, então, contratar nove famílias para trabalhar em suas terras. A contratação se deu da seguinte forma:

- Uma das nove famílias seria a governanta do empreendimento, recebendo um salário familiar de R$ 15.000,00;
- Duas das nove famílias seriam supervisoras e receberiam cada uma o salário familiar de R$ 1.500,00 cada;
- As outras seis famílias seriam as operárias e receberiam o salário familiar de R$ 200,00 cada.

A empreitada deu certo e rendiam ao fazendeiro, depois de retirados os custos com os trabalhadores, o lucro de R$ 5.000.000.000,00 (5 bilhões de reais) por ano.

A comunidade tinha, então, um PIB de 5 bilhões de reais.

Mas na verdade uma outra fazenda também operava com os mesmos números, tudo igual.

Fazendas 1 e 2 – Ano 1

Qtd. de Famílias
Renda Familiar
1
R$ 5.000.000.000,00
1
R$ 15.000,00
2
R$ 1.500,00
6
R$ 200,00

PIB: 5 bilhões

No segundo ano cada fazenda optou por diferentes políticas em seus negócios:

O primeiro fazendeiro viu que poderia ter mais rendimentos caso aumentasse o trabalho de seus funcionários. Achou também que os seus salários estavam altos e que se os reduzisse poderia tê-los ainda mais comprometidos com o trabalho, pois dependeriam ainda mais dele.

Manteve o salário da família governanta, de R$ 15.000,00, abaixou o salário das supervisoras para R$ 800,00 cada e o das operárias para R$ 100,00 cada, dobrando as horas de trabalho.

Com o aumento do trabalho foi possível alcançar um rendimento de 7.000.000.000,00 (7 bilhões de reais) neste ano. O PIB subiu de 5 para 7 bilhões, ou seja, crescimento da economia da ordem de 40%, coisa de louco. Qualquer Mirian Leitão diria que se trata de um crescimento para ninguém botar defeito.

Fazenda 1 – Ano 2

Qtd. de Famílias
Renda Familiar
1
R$ 7.000.000.000,00
1
R$ 15.000,00
2
R$ 800,00
6
R$ 100,00

PIB: 7 bilhões (Crescimento de 40% ano)

O segundo fazendeiro decidiu diferente. Ele achou que poderia melhorar a vida de seus trabalhadores. Aumentou o salário da família governanta para R$ 17.000,00, das supervisoras para R$ 2.000,00 cada e das operárias para R$ 1.000,00 cada. Além disso, reduziu à metade a jornada de trabalho para todas as famílias. Claro que com essas medidas ele passaria a lucrar menos. E os seus rendimentos foram de 5 para 3 bilhões de reais. A comunidade experimentou uma contração de 40% em sua economia, desastre total segundo as Mírians Leitões por aí.

Fazenda 2 – Ano 2

Qtd. de Famílias
Renda Familiar
1
R$ 3.000.000.000,00
1
R$ 17.000,00
2
R$ 2.000,00
6
R$ 1.000,00

PIB: 4 Bilhões (Contração da produção de 40% ano)

Pergunto: Se a sua família não fosse a família do fazendeiro e nem a família governanta, mas fosse uma das oito demais famílias, dentre as dez da comunidade, qual dessas comunidades você gostaria de habitar? A que está crescendo a uma taxa de 40% ao ano ou a que está com uma contração de 40% ao ano? Preferiria ter a renda familiar diminuída de R$ 1.500,00 para R$ 800,00, de R$ 200,00 para R$ 100,00 na comunidade de crescimento econômico? Ou preferiria ter a renda familiar aumentada de R$ 1.500,00 para R$ 2.000,00, de R$ 200,00 para R$ 1.000,00 na comunidade que o PIB contraiu em vez de crescer?

E aí, o que importa mesmo é a taxa de crescimento do país ou a forma como a renda está distribuída neste país e as mudanças na qualidade de vida da população? O que acha? Acha que a nossa imprensa se preocupa mais com que tipos de dados, os meramente econômicos ou os socioeconômicos?

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