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quinta-feira, 18 de março de 2010

Universidade da Vida

Essa história que vou contar já é bem conhecida daqueles que me conhecem mais de perto, pois vivo repetindo o fato. Ainda assim, é a primeira vez que escrevo sobre isso.

Em minha época de estudante de Teologia costumava largar às dez horas da noite do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, na Rua Padre Inglês, bairro da Boa Vista em Recife e tomar um ônibus até a Avenida Dantas Barreto para então tomar outro ônibus até a minha casa. Acontece que nesta última avenida havia uma farmácia, a essa hora já fechada. Em um pedaço do piso daquela farmácia, que ficava exposto, fora das portas metálicas, em um plano pouco mais elevado que o da calçada onde eu esperava o meu ônibus, dormia um senhor. Todas as noites quando eu chegava ele estava lá, sorrindo para todos e cumprimentando: - Boa Noite para vocês viu, vou forrar a minha cama para dormir – E estendia uma folha de papelão naquela ponta de piso para dormir. Não havia uma noite que esse senhor não nos cumprimentasse de forma enérgica e alegre. Era impossível não ser contagiado pela sua alegria, mesmo depois de um dia muito árduo de trabalho e estudo. Ele brincava com as pessoas, com os comerciantes que vendiam café, pedia um pouco e quando lhe davam fazia festa. Quando não conseguia o seu cafezinho agradecia da mesma forma. Tinha as duas pernas amputadas e se arrastava pelo chão, vivia bem sujo, fedia, mas eu achava curioso ver toda aquela felicidade em alguém naquelas condições.

Muitos anos se passaram e eu nunca conversei com aquele homem, nunca lhe dirigi a palavra, exceto para responder-lhe alguma indagação dentre as suas brincadeiras, mas nem lembro. Mas até hoje digo que foi um dos maiores professores que já tive. Eu perguntava para mim mesmo: - O que é preciso para ser feliz nessa vida? E me envergonhava muitas vezes de estar esperando que coisas grandes acontecessem para que eu pudesse me sentir feliz. Ali na minha frente, todos os dias, tinha uma prova viva de que a felicidade é muito mais uma decisão, uma escolha, do que um evento dependente de outros que condicionei alcançar para então me sentir feliz.

O segredo da vida está em nossos olhos. Se eles forem bons poderemos ter uma vida maravilhosa, independente do contexto que nos circunde. E como o povo brasileiro tem o que ensinar dessa matéria de saber festejar a vida sem que dependa de grandes conquistas para isso. Claro que devemos sempre lutar por aquilo que queremos conseguir, sem, no entanto, condicionar a nossa alegria de viver a essas conquistas. A vida é tão curta que não podemos nos dar o luxo de esperar por nada para festejá-la, para enxergar beleza em cada pequeno detalhe da vida. A capacidade para isso está dentro de nós e precisamos buscá-la, exercitá-la.

3 comentários:

Andrea disse...

Pois é, né! Porque complicar a vida e achar que seu problema é o maior do mundo, quando basta olhar em volta, prestar atenção à própria vida e ver que não é difícil ser feliz, basta querer e buscar?

Mahendra disse...

Bruno, cheguei. Faz tempo que digo vou lá no blog de Bruno dar uma expiadinha e termino não vindo. Enfim , cheguei, li e amei a história do senhor da marquise da farmácia. Obrigada por enriquecer o meu dia com este post, realmente me fez repensar umas coisas. Continue escrevendo ! Bjus, Mah

Karine Lira disse...

Carambaaaaaaa!!! Nunca li coisa mais verdadeira nessa vida. Beeeijo, Bruninho. ;)