Bem-vindo ao nosso Blog

Que bom você por aqui. Sinta-se em casa. Espero que as nossas humanidades se encontrem aqui. Neste blog você encontrará textos sobre assuntos variados que traduzam com palavras simples e críticas esses caminhos e descaminhos que a humanidade percorre na estrada da vida, expressos através de um desejo profundo e intimamente meu: Quero ser mais humano: menos hipocrisia, menos espiritualidade alienante, menos moralidade vazia, muito mais HUMANO."

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Como uma criança

Nascemos! Tudo à nossa volta parece tão grande. Somos tão pequenos. As pessoas ao nosso redor são enormes. Os nossos pequenos passos, primeiros passos, parecem irrisórios diante da vastidão do mundo. Só nos resta brincar. Esquecer as grandes coisas e voltar-se às que estão ao nosso alcance para ter com elas uma relação de prazer.

Crescemos! Tudo encolheu à nossa volta. As pessoas já não são gigantes. Nossos passos conduzem a nossa liberdade para distante. Não há espaço nem tempo para as brincadeiras, para o prazer, somos adultos. Por outro lado, o que eram formigas para nós quando crianças, tornam-se gigantes. Os desafios, os problemas, as lutas. Gastamos todo o nosso tempo e energia servindo a esses gigantes, abdicando do prazer, das brincadeiras.

Morremos! A morte não é aquele instante em que o nosso coração pára de soprar vida para o corpo. Na verdade, é exatamente isso sim, agora revendo a frase, é uma metáfora perfeita... quando o coração pára de soprar vida para o corpo.

Não saber viver é uma doença, cegueira muito pior que a física. É impossível ter bons olhos e não conseguir viver bem. Dar muita importância a coisas bobas, alimentando ódio no coração, perdendo a paz e a ternura é não ter em conta a vastidão do universo, a complexidade da vida, os fatos de nosso mundo conhecido, as conseqüências das nossas escolhas.

Ter em mente tudo isso é saber-se pequeno e fulgaz. A nossa grandeza mora exatamente na forma com que nos relacionamos com o mundo e com as pessoas. Ser grande é saber-se pequeno, pois quem não sabe-se pequeno, acha-se superior e infalível. Quem é grande para si mesmo, quem se vê grande, não consegue se relacionar bem nem com o mundo (imperfeito) e nem com as pessoas (imperfeitas).

Quem não se fizer como um desses pequeninos (como uma criança) jamais poderá viver uma vida de prazer como o nosso Pai quer (Reino de Deus).

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Onde estou, porquê vim e para onde vou? - Final

Como assim fora da religião? Não estou dizendo que não há evangelho dentro da religião, apenas que evangelho independe de religião. Evangelho quer dizer notícia boa. Mas que notícia boa é essa? Simples, a notícia é: Somos livres! Sabe o que significa isso? Que não há uma carga pesada imposta por Deus, não existem exigências que limitem a qualidade de nossa vida ou a qualidade da nossa liberdade. O evangelho é leve, é libertação. A boa notícia trazida por Jesus e muito mal entendida até os dias de hoje é uma notícia de libertação. Ela diz: - Vocês não são mais escravos de nada. Não têm obrigações de fazer sacrifícios para alcançar qualquer graça divina. O único mandamento é AMAR e o único pecado é não amar.

Em meu texto É preciso saber viver expresso a minha imagem de Deus, através de uma  oração, um pedido de perdão a Ele pelo que fizemos do evangelho, da liberdade trazida por ele. Nosso mundo está cheio de ódio. Grande parte desse ódio está enraizado em uma vivência religiosa doentia, desumana e desumanizante. Estamos contaminados com um nível tão grande de hipocrisia que nos tornamos intolerantes ao que somos de verdade, apesar de essa intolerância só vir expressa na nossa visão do outro e nunca de nós mesmos.

Uma religiosidade intolerante jamais poderia ser classificada como evangélica. Jamais poderia ser classificada como cristã. A que Jesus dizemos seguir? Àquele que ao ser chamado para opinar sobre a criminosa (mulher adúltera numa época em que tal ato merecia pena de morte por lei) disse que quem nunca tivesse errado poderia atirar a primeira pedra? A lei mandava que a mulher fosse apedrejada, mas ele igualou um erro que na época era considerado gravíssimo a qualquer outro erro. Como se um juiz dos dias de hoje desse de cara com um estuprador, coduzido por uma multidão, e dissesse: quem nunca errou que puna esse homem. E depois dissesse: Eu também não te condeno, vai, filho, e não faça mais isso. Só estou comparando o gravidade do adultério naquele contexto com algo que consideramos grave nos dias de hoje, para entendermos melhor o ódio que Jesus provocou em muita gente naqueles dias.

Então, hoje, procuro identificar onde estão os seguidores de Jesus. Procuro aprender com eles. Geralmente se trata de gente que não é muito bem vista pelos religiosos, assim como Jesus não foi em sua época. E é com essas pessoas que estou procurando aprender teologia e a viver o evangelho. Me tornei um pastor bastante distante das paredes da igreja (Acredito que a convivência da igreja pode ser muito saudável e gosto também). Meus colegas pastores me ouvem dizer que sou pastor da rua. Gosto de conversar com pessoas feridas pela religião, por uma religiosidade doentia, "desevangelizada", intolerante, e ajudá-las na compreensão de uma outra imagem divina, mais tolerante, mais amorosa. Ajudá-las a compreender o evangelho de verdade, a notícia boa em um mundo onde o que vende são as notícias ruins.

Acho que vou encerrando por aqui essa série. Sei que esperavam mais. Espero escrever mais em outros textos. Por hoje é o que consigo dar. Cada texto do blog é um pedacinho de mim. Outros textos completam também essa série. Quando comecei a escrever isso foi para facilitar a compreensão de algumas posturas minhas. Ou pelo menos para proporcionar, a qualquer um que vá me condenar por alguma postura, alguma base para pensar as coisas de outra forma. Não sou o dono da verdade nem nunca serei. Apenas procuro lutar pelo que acredito. Quando me pronuncio a favor dos direitos e respeito aos homossexuais, por exemplo, tenho consciência da fogueira que me coloco, mas jamais poderia negar aos meus amigos e amigas gays e lésbicas as minhas palavras de apoio aos seus direitos. Sofro com o sofrimento deles, com o preconceito que recebem da própria família e estou pronto a me expor se isso for ajudá-los a ter uma vida melhor, de mais qualidade. E isso é só um exemplo, que poderia ser ampliado com qualquer outro grupo que é visto como movimento contra o evangelho.

É preciso saber o que nos une como seres humanos, como seres conscientes e com liberdade de escolhas. Sou cristão, mas antes disso sou uma espécie animal que ganhou um cérebro mais complexo que as demais. E como esse animal pensante, afirmo que o que nos une não é a crença em Deus, ou Jesus, ou Alá, ou qualquer outra divindade. O que nos une é o amor, o desejo de viver bem a vida, com muito prazer, e de se colocar como instrumentos para que os outros também vivam a vida com intensidade de prazer. Não acredito em um Deus que se preocupa se alguém acredita ou não em sua existência. Acredito em um Deus que se preocupa com o nosso bem estar. Acredito em um Jesus que veio trazer esse lembrete: Livres! Acredito em um mundo que, por mais que esteja na iminência de acabar, seja pelas nossas mãos humanas ou pelas mãos do resto da natureza (meteoro ou outros astros que se choquem com a Terra ou qualquer outro evento da natureza), pode ser melhor antes do fim. Acredito em uma vida que pode ser melhor antes do fim. Acredito em um mundo melhor, porque quando você me machuca e a minha reação é te perdoar e te amar, essa minha pequena ação já fez o mundo melhor.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Meu malvado favorito

Apesar de já ter assistido ao filme pelo menos umas cinqüenta vezes (graças à minha pequena Sofia), não é do senhor Gru que vou falar. Gostaria de pensar sobre outro vilão, outro criminoso, talvez você o conheça. Hoje ele é herói e muito provavelmente é assim que você o conhece, mas em sua época foi julgado, declarado culpado e condenado à morte, com o apoio do povo.
Existem as leis e os costumes. Existem os costumes aos quais chamamos bons. Costumes se tornam leis e leis se tornam costumes. Ambos nascem da necessidade ou com o objetivo de tornar a nossa vida melhor. Pena que tantas vezes tornam-se maiores, mais importantes que a própria necessidade ou o próprio objetivo que os gera. Assim, teremos sempre aqueles (humanos) que existem para proteger as leis e os costumes e aqueles que existem para proteger os seres, a vida, uma vida de qualidade. As leis e os costumes existem para os homens como os alimentos existem para os corpos. São meios para uma finalidade maior. Se os alimentos fossem o fim em si mesmos, ficaríamos protegendo os nossos pratos, cheios, protegendo inclusive de nós mesmos, até definharmos de fome.
Leis e costumes têm forte tendência de escravizar os homens a quem deviam servir para tornar-lhes melhor a vida. Na nossa história, várias pessoas precisaram descumprir as leis e costumes vigentes, e incitar os demais a descumprirem também, para que a vida pudesse suplantar os pré-conceitos. Para que a essência permanecesse superior à forma. Para que o fim continuasse fim e não fosse substituído pelo meio.
Bem, voltemos ao criminoso do qual eu quero falar: Jesus. Já ouviu esse nome? Te choca chamá-lo de criminoso? Vou tentar me explicar. Jesus descumpriu algumas leis em sua época. Ele realizou ações que pelas leis de sua época eram consideradas infrações. Você sabe que ele foi crucificado. E, levando em conta as leis do seu contexto, a sua condenação não foi "injusta". Ele foi condenado e morto "legalmente". Até nos momentos finais de seu julgamento, cumprindo, já naquela época, com o mais perfeito rigor democrático. O representante do povo (político) perguntando à multidão: - Que farei desse Jesus, chamado Cristo? e o representado (povo) deu o seu voto unânime: - Crucifica! Não houveram pronunciamentos contrários à condenação, pelo menos não que tenham sido registrados. Tratava-se de um perfeito criminoso. Havia grande desejo tanto por parte do poder como por parte do povo de que fosse punido pelos seus crimes. E assim foi.
Hoje é muito fácil dizer que "Jesus é meu herói". O difícil é se permitir pensar nas seguintes questões: Nos dias de hoje, tem alguém realizando atividades semelhantes as que Jesus realizou em seu tempo? Quem? Eu estou apoiando as atividades dessas pessoas ou condenando? Elas parecem heróis para mim ou criminosas? Eu procuro fazer o mesmo que elas fazem (seguir)?
Havia um comércio que dava muito dinheiro a quem tinha muito dinheiro e tornava o pobre mais pobre.
Marcos 11: 15 Chegaram a Jerusalém. Jesus entrou no Templo e começou a expulsar os que vendiam e os que compravam no Templo. Derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos vendedores de pombas. 16 Ele não deixava ninguém carregar nada através do Templo. 17 E ensinava o povo, dizendo: «Não está nas Escrituras: 'Minha casa será chamada casa de oração para todos os povos'? No entanto, vocês fizeram dela uma toca de ladrões.» 18 Os chefes dos sacerdotes e os doutores da Lei ouviram isso e começaram a procurar um modo de matá-lo. Mas tinham medo de Jesus, porque a multidão estava maravilhada com o ensinamento dele. 19 Ao entardecer, Jesus e os discípulos saíram da cidade.
O povo gostava dos ensinamentos de Jesus, e de suas ações. Eram ensinamentos e ações que promoviam o bem, a igualdade, a justiça, o amor. O problema é que suas ações mexiam nos bolsos dos grandes e os doutores eram logo convidados a usar a Lei (usada apenas pelo que está escrito, sem considerar os porquês de estar escrito). Começaram a acusar Jesus de infrator e assim a coisa mudou. Quando colocaram os costumes, muitas vezes ultrapassados em seus objetivos de tornar a vida melhor, acima desses objetivos, acusando aquele que estava agindo diferente do que a Lei ordenava, o próprio povo se voltou contra aquele que estava sendo taxado como criminoso. Ninguém quer estar vinculado a alguém que é chamado de infrator, criminoso. Então a sugestão de condenação foi aceita e o povo passou a condenar também. Condenar é muito fácil. Se juntar a uma maioria que condena é cômodo. Difícil é ter opinião própria, enxergar com os próprios olhos, e aceitar o compromisso de defender a vida, o ser, ainda que façamos parte da minoria que é taxada de infratora, criminosa, pervertida.
O que estou querendo dizer com tudo isso? Ainda não caiu a ficha? Pense um pouco... Reflita um pouco... Procure pessoas, grupos, movimentos que estejam sendo taxados como infratores, criminosos, maginais, mas que, de repente, podem estar praticando as mesmas atividades que Jesus praticou, em defesa dos fracos, da justiça, da equidade. Será que isso existe hoje? Desconfio que sim. Dizer Jesus é meu herói, sem falsidade, seria buscar fazer o que ele faria hoje e não simplesmente vibrar pelo que ele fez no passado. Se já tem gente fazendo isso hoje, podemos nos juntar. A não ser que você prefira esperar quando eles não forem vistos mais como criminosos e forem chamados de heróis. Mas nesse ponto, o galo já terá cantado. Leia também: Seguidores dos que já foram.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Não vou nada bem !

Vocês não sabem de nada, hoje vi aquele nosso colega de infância, o Carlos. Ele está muito bem, viu! Mora em um apartamento de luxo e anda por aí em um carro caríssimo.

Talvez você já tenha presenciado algum comentário parecido com esse acima. Eu pensava nisso quando estava no ônibus hoje, voltando para casa, vindo do trabalho. É interessante como ainda associamos o "bem estar" a posses materiais. Poderíamos encontrar um antigo conhecido na rua e, baseado em sinais de sua riqueza, o termos como alguém que está bem. A sua riqueza poderia ter sido lícita ou ilícita, mas continuaria sendo alguém que está muito bem.

Ser possuidor de riqueza, mesmo em uma sociedade tão racional, ainda é indicativo de bênção divina, de sucesso, de alguém vitorioso. De fato, existem muitos casos em que a riqueza é sim resultado de muito trabalho, honesto, dedicação, esforço. Mas nem sempre. Também existem os casos em que a pobreza é resultado de comodismo e vagabundagem, mas geralmente é mesmo a falta de oportunidades que determina a pobreza.

Sabem o que me despertou esses pensamentos no ônibus? É engraçado! Vez por outra encontro alguém conhecido em ônibus e sou questionado: cadê o carro? Bem, ando mais de ônibus do que de carro. Vários motivos. Horários que me permitem ir sentado sempre, linhas que não demoram a chegar à parada, possibilidade de liberdade (gosto de voar em meus pensamentos, cochilar, ler, me distrair bastante, escolher em que prestar atenção na viagem, coisas desse tipo) e ainda por cima será um carro a menos na rua. Não sou fã de dirigir em cidade, também. Acho que sou um velho. Já me disseram isso muitas vezes. Além de minhas andanças de ônibus, não sou alguém que vive comprando roupas, celulares legais. Abandonei relógio de pulso há algum tempo e estou louco para abandonar meu celular. Quero menos coisas para estarem me preocupando. Tá vendo que sou mesmo velho? Aí hoje cheguei a uma conclusão que muita gente que eu encontrar na rua vai ter certeza que eu "não vou nada bem".

E o pior é que para muita gente eu nunca irei nada bem mesmo porque não pretendo começar a me interessar por essas coisas. Não tenho nada contra essas coisas, mas é que a minha velhice precoce não deve se dispor a abrir muito espaço para elas. Continuo na minha loucura de achar que a simplicidade da vida é um luxo que não quero abrir mão. A minha felicidade sempre se esbanjou das coisas simples e muitas vezes gratuitas da vida: um sorriso, uma árvore, uma poesia, nuvens, pássaros, perfumes, livros, música, carinho e coisas assim. Dessa forma alguém como Gandhi ou Jesus, para mim, será sempre o indicativo de sucesso, "bem estar", de alguém vitorioso e não um Steve Jobs ou Mark Zuckerberg. Sobre estes últimos não saberia dizer muita coisa, se são vitoriosos ou que vão muito bem, só que têm muito dinheiro.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Onde estou, porquê vim e para onde vou? - Parte 3

No ano de 2006 me juntei a um grupo de voluntários do Centro de Mídia Independente (indymedia), no coletivo Recife. Nas atividades dos CMI, convivia com ateus, budistas, espíritas, "Roqueiros da pesada", tatuados, homossexuais, enfim, uma variedade de gente e grupos, geralmente unidos em torno de um mesmo própósito: dar a sua contribuição para a construção de um mundo melhor para todos e todas.

Como tinha dito antes, evangelho e evangelizar se tornaram coisas bem diferentes. Durante o meu tempo como voluntário do CMI, posso dizer que fui evangelizado por ateus, budistas e todos os demais grupos e pessoas que convivi. Pessoas que com o exemplo de suas vidas, de seu compromisso com a justiça, de seu altruísmo, de sua humanidade, me acordaram para a realidade de que quem estava seguindo o caminho dos passos de Jesus eram eles e não eu.

Passei toda a minha infância, adolescencia e parte da juventude dedicado às atividades das igrejas onde trabalhei e na atividade externa de "ganhar almas para Cristo". Mas agora estava percebendo o quanto os meus passos estavam distantes das marcas das pegadas deixadas por Jesus. Ele tinha andado por caminhos bem diferentes. Ele tinha andado pelos caminhos que a maioria de nossas igrejas, infelizmente, tem evitado. Ele estava ao lado das pessoas que eu aprendi a evitar em minha vida religiosa. Ele lutava por causas que não estão na pauta da maioria de nossas igrejas.

Estudei os profetas bíblicos e comparei as suas atividades à atividade de Jesus. Como é clara a mensagem. Como se torna claro o conteúdo da "Boa Notícia" trazida por Jesus, quando o buscamos sem os nossos pré-conceitos. E me perguntei: Quem está continuando a atividade principal exercida pelos profetas e por Jesus? E comecei a enxergar pistas para essa resposta em um lugar inusitado: fora da religião. Escrevi a minha monografia da Universidade Católica de Pernambuco: Profetismo e sociedade: O evangelho fora da religião.

[continua...]

domingo, 12 de junho de 2011

Acabou!

Ai que vontade de sorrir, gargalhar. De esquecer as testemunhas e simplesmente viver. Sem ter que contabilizar tanto as reações alheias. Negar-se esquecer a brevidade da vida e fugir do engano das preocupações e ansiedades com coisas pequenas. Sem medo de ousar. Sem medo de errar, pois no erro residem os mais sábios aprendizados sobre a vida. Bem, se não disse nada com nada é culpa dessa cerveja. Só queria publicar alguma coisa no blog à distância, mas digitar no celular é um saco. Principalmente no meu, bem básico. Inté!

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Vida

De que valeria viver o pouco tempo de uma vida se não fosse para vivê-la intensamente?

Onde estou, porquê vim e para onde vou? - Parte 2

Um ano depois, ano 2000, mudei o curso para Teologia. Algumas disciplinas e professores me proporcionaram um estudo mais crítico da Bíblia. Conhecer a história da formação e estabelecimento dos textos bíblicos foi um aprendizado importante. Saber ler o texto em seu próprio contexto foi outro importante aprendizado, assim como a crítica bíblica com o manuseio dos textos originais (grego e hebraico). Com o nascimento de Hanna, ano de 2001, e o processo crítico aguçado pelo qual eu estava passando no terceiro ano de seminário, os meus questionamentos passaram de coisas pequenas ligadas à praxis religiosa a questões relacionadas com a própria essência da religião.

O livro "As máximas de seminaristas" estava pronto, com capa e tudo, embora nunca tenha sido publicado. Ficou apenas em seu formato digital. Alguns comentários sobre o meu texto "Matando Deus para que ele viva" chegaram ao diretório acadêmico do seminário e me pediram permissão para publicar em seu jornal semanal. Foi publicado e iniciaram as reações, algumas muito positivas e outras bastante desaprovadoras. Normal.

Em 2003 iniciei a minha monografia de conclusão do curso, "Juventude e Alienação Religiosa". A essa altura eu já havia decidido não depender de salário de igreja para viver. Na verdade decidi não receber salário de Pastor, para continuar livre para falar o que penso, sem muitas reservas. Não sou contra o salário pastoral. Não receber salário como pastor foi uma opção minha, para o que eu queria para mim no futuro. No segundo semestre de 2003 entrei no colégio pastoral da Primeira Igreja Batista em Bultrins, onde todos os pastores trabalhavam voluntariamente.

Em Bultrins pude me deparar mais de perto com a extrema pobreza. Em minha primeira semana como pastor, estava no sepultamento de dois adolescentes assassinados, quando, durante o sepultamento, assassinaram outro que estava presente entre nós. Em Bultrins aprendi a ser pastor não de uma igreja, mas de toda uma comunidade. Aprendi quão pouco tinha para contribuir e o quanto precisava aprender com aquelas pessoas sofridas. As condições difíceis não eram suficientes para lhes tirar a fé, a solidariedade e o carinho com que nos tratavam.

A minha experiencia religiosa, desde a minha mais tenra infância, as dificuldades de saúde de minha filha Hanna, a abordagem diferenciada aos textos bíblicos e a experiência direta com a realidade da extrema pobreza foram moldando em mim uma nova visão de evangelho. Evangelho se tornou algo bem diferente. Evangelho e evangelizar.

[continua...]

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Onde estou, porquê vim e para onde vou? - Parte 1

Estava por esses últimos dias tentando entender algumas de minhas decisões e posturas nos últimos anos. E quando digo últimos, estou me referindo a, pelo menos, os últimos dez anos. Não que eu não entenda, mas estava por querer fazer um exercício diferente: descrever com palavras e não apenas com os instintos e emoções. Não precisamos dar explicações para nós mesmos porque entendemos, instintivamente, o que fazemos. Mas na hora de tentar explicar para alguém... ah, isso é mais difícil.

Vou tentar escrever, então, ou seja, descrever com palavras aquilo que para mim é muito claro. Quem me conhece nos dias de hoje, por vezes estranha o meu jeito de pensar, de me expressar, de ser. Por isso evito, sempre que conheço pessoas diferentes, de me apresentar como pastor batista, ou mesmo como evangélico. Deixo as pessoas descobrirem, depois de me conhecer, para não frustrar expectativas construídas pelo estabelecimento de um padrão bem diferente do que sigo. Ao mesmo tempo, também evito negar que sou pastor, até para mim mesmo, porque assim estaria negando as próprias motivações que me tornam "diferente" do padrão. Com "diferente" não quero dizer nada além disso, nem melhor, nem pior, apenas "diferente".

Era o ano de 2001, quando um colega meu de curso no seminário (Eu estava no terceiro ano de seminário - Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, em Recife) me convidou para compor um grupo de alunos que estariam escrevendo um livro intitulado "Máximas de seminaristas". O nosso querido professor João Ferreira estava apoiando o projeto e escreveria o prefácio. O tema a mim atribuído, simplesmente, "Deus". Ora, eu acabara de descobrir que a minha filha Hanna, apenas com alguns poucos meses de vida, estava com duas lesões cerebrais devido a problemas no parto, o que acarretaria em dificuldades por toda a sua existência. Hanna tinha, em média, dezoito crises convulsivas por dia. E estava iniciando tratamento com remédio controlado. E eu estava envolvido pelo jargão religioso que dizia que "quem serve a Deus é livre de todos os males". Escrevi o texto "Matando Deus para que ele viva".

Voltando um pouco no tempo, pensando sobre os motivos que teriam me levado até o Seminário, lembro de minha infância e adolescência, inteiramente dedicadas às atividades religiosas. Gostava do que fazia e o fazia com o coração ardendo de paixão e entusiasmo. Acreditava que todas as pessoas do planeta deveriam levantar as suas mãos dizendo: "Aceito Jesus" e dedicar as suas vidas às atividades religiosas, como eu mesmo procurava fazer. Através de leituras, decobri que a Índia seria a nação mais necessitada desse tipo de salvação e foi almejando dar a minha contribuição nessa "missão" que me matriculei no curso de Missiologia do Seminário.

[...] Continua

quinta-feira, 26 de maio de 2011

É isso aí, Nassif - "Erros de Português" - Mais uma rapidinha!

Estão querendo crucificar o Ministro Haddad pelos polêmicos "erros de português" no livro didático da rede pública de ensino. Um furacão de incompetência nas análises produzidas por interpretações descontextualizadas pela grande maioria de nossa imprensa e de alguns de nossos governantes.
 
É importante que pelo menos alguns jornalistas se interessem em ler e se informar melhor antes de divulgar alguma notícia.
 
Parabéns, Nassif!
 
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terça-feira, 24 de maio de 2011

Uma Rapidinha sobre a polêmica do livro didático do "português errado"

A nossa querida imprensa sensacionalista uniu-se ao mote desinformado contra termos informais constantes nos livros didáticos aprovados pelo MEC. A nótícia não preciso muito detalhar porque está em todos os noticiários. O que acho absurdo é a ausência da pergunta que poderia suscitar alguma análise mais crítica do fato: Por quê? Vi publicados em vários jornais escritos (Estadão, Jornal do Brasil, etc.) e noticiado em diversos outros televisivos palavras contrárias, mas ainda não pude ler ou ouvir através da nossa querida imprensa gente explicando o porquê se chegou até aí e o que significa de fato o evento. Até o CQC, que curto bastante, entrou no clima da crítica hegemônica, sem se preocupar em entender, ouvir qualquer palavra de algum linguista. A proposta é resultado da luta dos linguistas. São eles os especialistas da língua e deveriam ser ouvidos. Abaixo, link de texto de Marcos Bagno, um dos linguistas mais renomados do nosso Brasil. Leiam e pesquisem mais sobre o assunto, já que a nossa imprensa não está lá muito preocupada em apresentar-nos todos os ângulos de uma notícia.
 

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Volto Já!!!

Gentes Boas,

 

Paciência! Estou passando por algumas mudanças na vida e logo retomarei às minhas publicações semanais às terças-feiras.

 

Att,

 

Bruno Montarroyos